A Preparação

  Da dúvida ao embarque

    No início de 1998 começamos a pensar nas férias que seriam em julho e algumas dúvidas surgiram. O que fazer? Para onde ir?

Entre dezembro de 1996 e janeiro de 1997 viajamos para a Índia, Nepal, Tailândia e Hong Kong e para esta nova viagem queríamos algo diferente.

Conversando com um amigo (Paul) ele nos contou sobre a viagem que ele e sua mulher haviam feito ao sul da África. Lá eles tinham alugado um carro, que vinha com material para camping, e visitado diversos parques nacionais.

Pronto! Decisão tomada. África do Sul, Zimbabwe, Botswana e Namíbia. Nossa primeira providência foi pesquisar a cultura destes países, procurando saber as dificuldades e facilidades de cada lugar, a língua falada, moeda, vacinas que deveríamos tomar. Para isso visitamos consulados, ligamos para Embaixadas, conversamos com quem já havia viajado para lá, procuramos sites na Internet para buscar aluguel de carro e sugestões de lugares a serem visitados, procuramos as companhias aéreas para saber sobre vôos e seus preços. Aqui cabe um parêntese: Todas a viagens que fizemos até hoje foram feitas desta forma, ou seja, pesquisamos, perguntamos, buscamos informações nos mais variados lugares e também a melhor e mais barata forma de viajar. Que nos desculpem as agências de viagens, mas nunca nos utilizamos nenhuma delas para nos ajudar. Não somos contra as agências e nem contra as pessoas que delas se utilizam. Nós preferimos assim. Se é mais caro ou barato, se é mais difícil ou mais fácil, não sabemos, mas é este jeito de viajar que nos agrada.

Agora voltando ao que interessa.  As informações começaram a chegar de forma consistente e logo tínhamos muito papel, mapas, dicas, etc, etc, etc, para tomar decisão final. Decidimos começar a viagem no dia 30 de junho coincidindo com o início das férias escolares da África do Sul e também com o inverno que torna as temperaturas daquele lado do mundo mais amenas. Não é preciso falar sobre a África no verão.

Tudo que tínhamos nas mãos nos mostrava que a Namíbia era um país muito bonito e realmente uma terra de contrastes. Colonizada por alemães, a arquitetura de diversas cidades é cópia fiel dos prédios e casas da Alemanha. Além disso, o sol brilha, em média, 300 dias por ano. As famosas dunas de areias de Sossusvlei, a Costa do Esqueleto e o Fish River Canyon com suas pinturas rupestres e esculturas de pedras prometiam uma viagem excitante e ainda poderíamos encontrar o Rinoceronte negro e o Elefante do Deserto.

Já em Botswana, o grande destino era o Delta do Rio Okavango e o Chobe National Park que são provavelmente os locais mais visitados deste país. O país foi protetorado inglês até sua independência em 1966. Num grande golpe de azar da Inglaterra, logo após a independência foram descobertas três das maiores minas de diamantes do mundo. Com isso o país, hoje, desfruta de relativa estabilidade política e econômica.

O Zimbabwe era, naquela época, um país relativamente seguro para viajar, mas a corrupção e os partidos de oposição sempre trazem preocupações. A reforma agrária colocou empregados negros e fazendeiros brancos em lados opostos e com isso algumas invasões ocorrem e sempre são violentas. Mesmo assim a visita a Victoria Falls, ao Rio Zambezi e o Hwange National Park eram destinos obrigatórios.

A África do Sul dispensa muitos comentários já que está sempre na mídia, principalmente pela luta de Nelson Mandela, pelo otimismo com o fim do Apartheid e com a busca por uma nova sociedade mais justa e digna para todos. Apesar de não ser um país com muita vida selvagem para se ver, com exceção do Kruger National Park, é um país que, para nós brasileiros, é um bom destino para início da viagem.

Assim, depois de muita troca de e-mails decidimos alugar o carro na Buffalo Campers.

Esta pequena empresa tem apenas cinco carros para alugar e os carros já vêm com os equipamentos básicos para camping. Isto inclui uma barraca de lona grossa, um fogareiro de uma boca, um botijão de gás de 5 quilos, dois sacos de dormir, pratos e talheres para duas pessoas e ainda uma geladeira (cooler) de 12 volts. Para não ter problemas com a bateria esta geladeira só funcionava com o carro ligado. Nossa primeira opção de carro foi um Toyota Land Cruiser Diesel, mas por atraso na resposta, quando pedimos o carro, ele não estava mais disponível. Ficamos com um Toyota Venture (no Brasil não temos este carro), a gasolina, que tinha bloqueio de diferencial, que se mostrou eficiente, econômico e silencioso. O fato de ser silencioso ajuda quando procuramos os animais. Se fizer muito barulho eles fogem.

Decidimos que faríamos um círculo, no sentido anti-horário saindo de Johanesburg, indo em direção ao Zimbabwe, depois Botswana, entrando na Namíbia pelo Norte e voltando a Johanesburg. Depois iríamos de trem até a Cidade do Cabo. Na verdade deveríamos pegar o carro em Randburg, um subúrbio próximo à capital, mas longe o suficiente das loucuras de cidade grande. Já tínhamos sido avisados dos perigos de Johanesburg e por sugestão da Ângela, dona da empresa de aluguel de carros, ficamos numa pousada também em Randburg.

Passagem comprada, carro alugado, roteiros definidos, roupas (poucas) dentro das mochilas, pé na estrada.

Vamos ver o que a África tem.

África do Sul

  No início da noite da terça feira, 30 de junho de 1998, tomamos um táxi até o aeroporto de Guarulhos para finalmente embarcarmos para nossa próxima aventura. Uma certa ansiedade tomou conta dos dois, afinal era mais uma viagem ao desconhecido, ao novo. Não sabíamos o que iríamos encontrar e sempre fica uma pequena dúvida se não havíamos esquecido de nada.  Tudo bem. Nada a fazer agora, a não ser relaxar e aproveitar.

Nosso vôo saiu sem atraso e em menos de nove horas, às 12:20hs, horário local, chegamos no aeroporto de Johanesburg. Logo na saída, depois dos rápidos trâmites alfandegários, nos encontramos com o George, dono da pousada Fleet Guest House em Randburg. Muito simpático, cara de alemão (não só cara), nos levou até seu carro no estacionamento do aeroporto e lá  vimos as primeiras diferenças. Primeiro que no sul da África a mão de direção é inglesa e tudo parece estar na contra-mão. Depois a estranha sensação de sentar no banco de passageiros onde habitualmente sentamos para dirigir. Pegamos a autopista e em pouco tempo chegamos à pousada. Ficamos impressionados com a beleza e a tranqüilidade do lugar. Na verdade é uma grande casa pintada de branco, cercada de belos jardins, quartos imensos, uma sala muito bem decorada, com uma lareira e diversas poltronas confortáveis, onde os hóspedes aproveitam para se conhecerem.

Depois de um pequeno descanso para colocar o corpo em ordem e acertar o fuso horário, resolvemos tomar uma cerveja na varanda da pousada e, com este gesto,  dar início oficial à viagem. Afinal ninguém é de ferro.

Fomos convidados para jantar por um indiano que estava lá hospedado e fomos até o Waterfront. Lá tem diversos restaurantes, pubs e muita diversão. Passeamos um pouco, mais algumas cervejas, jantamos e logo baixou um cansaço grande. Voltamos para a pousada para uma merecida noite de sono.

No dia seguinte, bem cedo, depois de um belo café da manhã, encontramos com o marido da Ângela que nos levou até o sítio onde moravam para nos entregar o carro. Depois de algumas informações sobre o funcionamento do carro, seus equipamentos, alguns mapas e dicas, assumimos o controle. Agora era hora de sentar no lado errado, dirigir pelo lado errado da estrada, fazer conversões contrárias, enfim tudo ao contrário. Tudo bem, na primeira curva a roda esquerda raspou na calçada, mas lá fomos nós. Até que foi fácil a adaptação.

Abastecemos o carro, paramos num super mercado, fizemos algumas compras, principalmente água e seguimos direto para a cidade de Louis Trichardt, perto da fronteira com o Zimbabwe. Pegamos uma estrada em ótimas condições, inclusive pagamos pedágio e chegamos lá no final da tarde. Achamos o camping municipal, que tinha boa infra-estrutura e montamos nosso primeiro acampamento. O tempo estava muito bom, com pouco calor, mas à noite e madrugada fez um frio insuportável. Fizemos nosso jantar e experimentamos um dos bons vinhos que a África do Sul produz. Depois das anotações do que havia acontecido naquele dia, planejamos a etapa do dia seguinte e fomos dormir. Naquele instante já estávamos mais confiantes de que tudo daria certo.

Com uma noite bem dormida, apesar do frio intenso, desmontamos o acampamento e partimos em direção à fronteira do Zimbabwe. No caminho passamos por um grande Baobá, árvore muito comum nesta região com a sua casca muito macia e formas estranhas. Assim, depois de 530 kms desde Randburg chegamos a Messina e nos preparamos para a nova etapa.

  O Zimbabwe

    Saímos da África do Sul de forma rápida e tranqüila e nos dirigimos à outra fronteira. Quando chegamos à ponte que divide os dois países fomos parados por uma policial que começou a nos falar alguma coisa em uma língua muito estranha. Acho que ela percebeu nossa cara de desentendidos, pediu desculpas e começou a falar em Inglês. Ela havia falado em Africaans, já que viu o carro com placa de Johanesburg (placa BLV 931 GP) e achou que éramos de lá. Na verdade ela nos alertava para o perigo de parar sobre a ponte para supostos policiais. Nos mostrou duas ou três pessoas que estavam sobre a ponte, vestidas com uniformes e que mandavam os carros pararem sob o pretexto de vistoria. Na verdade eram ladrões que aproveitavam disso para assaltar viajantes. Ela disse: - “Se algum deles pedir para vocês pararem, não parem. Se algum deles entrar na frente do carro, acelere e atropele, mas não pare. Só pare depois da ponte, dentro do território do Zimbabwe, onde tem policiais verdadeiros. Esta ponte é terra de ninguém”.

    Não foi preciso repetir a recomendação. Atravessamos a ponte em boa velocidade torcendo para que nenhum dos falsos policial entrasse na frente.

    A imigração e alfândega do Zimbabwe são indescritíveis. Uma confusão generalizada, gente por todo lado, burocracia, papéis aos milhares para preencher, pagar taxas, vistorias, carimbos, trocar dinheiro e o pior: fecha para almoço. Quando estava quase tudo resolvido todos os guichês foram fechados e os funcionários foram almoçar. Tudo bem. Para quem já estava ali há quase três horas, com o sol a pino, esperar mais uma hora não seria grande problema. Para pagar uma taxa tivemos que trocar dinheiro num banco improvisado num velho trailer. Parecia “maracutaia”, mas era um banco oficial.

    Finalmente reabriram os guichês, acabamos os trâmites e pegamos a estrada. Seguimos por esta estrada, de pista simples, mas muito bem pavimentada, até a cidade de Bulawayo.  A cidade tem uma característica interessante. Muitas ruas são bem arborizadas, mas as árvores ficam depois das calçadas por sobre uma larga faixa de terra até chegar ao asfalto ou calçamento. Aqui era importante não ficar acampado, pois tinha jogo do Brasil na Copa do Mundo e nos campings não existiam televisões.

Achamos uma pousada chamada Travellers Guest House, bonita e organizada. Ao lado havia um restaurante muito bem recomendado, mas que dependia de reservas para jantar. Resolvemos tentar assim mesmo. No estacionamento do restaurante nos chamou a atenção o número de carros importados (Jaguar, Mercedes, BMW, Audi). Pensamos: “Acho que entramos numa roubada. Isto aqui deve ser caro pra caramba”. Resolvemos arriscar assim mesmo e tivemos uma grata surpresa. O restaurante tinha um serviço fantástico, uma decoração lembrando muito New Orleans e o melhor de tudo: os preços eram razoáveis. Na verdade pagamos US$ 12.78 incluindo entrada, prato principal, sobremesa e 2 cervejas.  Muito barato para os padrões do restaurante.  Sem contar que não estávamos apropriadamenbte para um restaurante sofisticado como aquele, mas isso foi apenas um detalhe.

    Voltamos à pousada e assistimos a vitória do Brasil contra a Dinamarca por 3 x 2  ao lado de um casal de alemães que, obviamente, torcia contra.

    No dia seguinte seguimos para o Hwange National Park e aproveitamos para comprar alguns pequenos artesanatos na beira da estrada. Existem diversos artesãos que trabalham muito bem com madeira e pedra. Enquanto dirigíamos, vimos ao longe duas figuras que vinham no meio da estrada. Diminuímos a velocidade e descobrimos que eram dois atletas paraplégicos que viajavam em cadeiras de rodas buscando divulgar suas habilidades e pedindo ajuda ou patrocínio. Contribuímos com uns poucos Zimbabwe Dólares e seguimos viagem.

    Chegando no Hwange Park montamos acampamento e saímos para ver os animais.

Não adianta querer ver animais durante o dia. Os melhores horários são logo ao amanhecer, de preferência ainda um pouco escuro, e no entardecer. São nestas horas que eles vêem beber água e, alguns, caçar. Por isso levantávamos muito cedo e aproveitávamos as horas mais quentes do dia para deslocamento, procurando chegar até o próximo ponto antes das 4:00hs da tarde. Logicamente que os animais não desaparecem durante o dia, mas estarão sempre mais quietos, buscando sombra, o que torna a missão de achá-los mais complicada.

Em todos estes países as estradas vicinais, que ficam dentro dos parques, procuram passar bem perto do que eles chamam de “buraco d’água”. Assim fica mais fácil estacionar o carro e esperar que os animais apareçam. É muito importante o silêncio nesta hora. Deve-se desligar o carro e, pacientemente, ficar ali sentado, câmeras em punho, esperando o melhor momento. Qualquer movimento brusco ou barulho excessivo é o suficiente para afugentá-los. Esta é a vantagem do carro a gasolina. Como seu motor é menos barulhento, pode-se tentar uma aproximação com mais sucesso, Vimos e fotografamos diversos elefantes, girafas, hipopótamos e antílopes. Conseguimos ver um grupo de leões que descansavam entre algumas árvores e não muito longe identificamos uma carcaça de um filhote de elefante. Nesta hora é que fica perigoso. Algumas pessoas resolvem descer dos carros para um melhor ângulo para a fotografia e normalmente são surpreendidos por grandes animais que os atacam sem piedade. Afinal, somos nós os intrusos.

Saindo do Hwange fomos surpreendidos por uma manada de elefantes que cruzava a estrada. Paramos e desligamos o carro, enquanto um grande macho cruzava a nossa frente como se estivesse checando o terreno para o resto do grupo. Neste instante um casal em um velho Land Rover parou ao nosso lado e também esperou. Mas, subitamente, ele ligou o carro e arrancou sem aviso. Nós estávamos com a janela aberta, preparando algumas fotos e quando assustamos este grande macho vinha em nossa direção, abanando as orelhas e em posição muito ameaçadora. A Vera estava ao volante e numa fração de segundos ligou o carro, colocou primeira e arrancou em velocidade. Imagine tudo isso com um carro com o volante do lado contrário. Só deu tempo de tirar uma foto do grandalhão e ver nossa bandeira do Brasil voar para longe. Seguimos, então, em direção a Victoria Falls, onde fica uma ponte que faz fronteira com a Zâmbia e onde se pratica um dos mais altos Bungee Jumping do mundo. A altura é incrível. Também é o local de rafting espetacular pelo Rio Zambezi.

Victória Falls impressiona pelo tamanho e volume d’água. São diversas quedas que podem ser vistas de muitas posições. Basta seguir as trilhas, bem sinalizadas e de fácil acesso. O camping fica a poucos metros da entrada principal do complexo e tem boas instalações. É importante ressaltar que mesmo nos campings mais precários, as instalações eram extremamente limpas. Todos os banheiros, mesmo os mais simples em que as paredes são de palha trançada, são limpos e constantemente cuidados.

Depois de algum tempo curtindo o Zimbabwe era hora de cruzar fronteira com Botswana.

  Botswana

     Saímos sem pressa do Zimbabwe, afinal os dias que passamos ali foram tranqüilos e proveitosos. Aproveitamos para gastar o que tínhamos de Zimbabwe Dólar abastecendo o carro e comprando água.

     Na fronteira de Botswana uma surpresa. Tínhamos que pagar uma taxa de alfândega que, dividindo por dólar daria quase nada. E o pior: deveria ser na moeda do país, o Pula. Esta fronteira que escolhemos ficava numa estrada vicinal e não havia banco para troca de dinheiro. Os guardas da fronteira simplesmente fizeram todos os trâmites legais, carimbaram os passaportes, colaram os selos, liberaram o carro, nos devolveram toda a documentação e pediram que trocássemos o dinheiro na cidade mais próxima e voltar ali para pagar a pequena taxa. Nunca vimos tanta demonstração de confiança.

     Tudo resolvido, com direito a enfrentar uma fila quilométrica num banco, taxa paga, saímos em direção ao Kasane Park. Desta vez resolvemos não acampar por dois motivos. O primeiro porque era nosso aniversário de casamento e queríamos este presente e em segundo lugar o camping ficava a beira de um rio lotado de crocodilos, de Suricates, pequenos animais que cavam buracos e incomodam muito, e macacos que roubavam tudo que viam pela frente. Achamos o Chobi Lodge que ficava bem na entrada principal do parque e conseguimos um chalé muito legal e por um preço ótimo.

     Nestes países africanos os animais ficam em parques, mas não é um zoológico aberto, Na verdade estes parques ocupam grandes extensões de terra, chegando, algumas vezes, a mais de 300 km’s de largura e com algumas áreas de camping definidas. Obviamente, que para entrar nestes parques existem guaritas e as estradas lá dentro são poucas e sem asfalto. Desta forma, não adianta querer entrar ou sair sem passar por locais previamente determinados. Isto é feito para garantir a segurança de todos, animais e visitantes.

     Existem algumas recomendações que devem ser seguidas à risca parar quem está visitando os parques por conta própria. Uma delas é não descer do carro para fotografar ou mesmo para alguma necessidade fisiológica. Em algumas regiões recomendam uma sobrevivência mínima de cinco dias, ou seja, que você tenha água, comida e combustível para sobreviver cinco dias. Eles acreditam que neste tempo alguém passará para te socorrer, caso necessário. Outra recomendação é não sair das estradas e tentar dirigir pelas savanas. Se ocorrer qualquer problema com o carro ou se algum animal de grande porte atacar, o socorro será muito mais difícil, já que ninguém saberá onde está. 

     Vimos uma Toyota capotada e com dois grandes furos na lateral. Pelo que nos informaram, o motorista arriscou e tentou passar mais rápido por uma manada de elefantes que estava na lateral da estrada. O carro foi atacado lateralmente por um macho. Por sorte só tiveram prejuzos materiais e os passageiros foram socorridos a tempo.

     Bem, depois que nos instalamos no chalé seguimos a rotina do dia. Entramos no parque e procuramos os animais. Encontramos com um pequeno caminhão com alguns turistas e seguimos juntos por algumas horas. Em certo instante vimos uns vinte ou trinta elefantes (machos, fêmeas e filhotes) saindo do rio e subindo em nossa direção. Paramos e desligamos o carro e ficamos quietos. Em pouco tempo a manada nos cercou e, com certa desconfiança, levantavam as trombas com se nos cheirassem. Vendo que não havia perigo, começaram o ritual de pegar terra com as trombas e jogar nos corpos. Foi emocionante estar ali vendo uma grande família e sua organização. Os filhotes estavam sempre perto das mães, às vezes, debaixo delas. Estas grandes fêmeas faziam uma espécie de círculo, como forma de manter os pequenos protegidos. Os machos ficavam a uma pequena distância, talvez observando e cuidando do grupo. O maior problema neste encontro foram os gases que estes seres produzem e soltam. Dá pra imaginar o barulhão de um “peido” de elefante? A vontade de rir era grande, mas ficamos quietos até que eles começaram a se distanciar do nosso carro. 

     Depois deste encontro seguimos em frente e em certo momento vimos um grande grupo de macacos em cima de árvores. Eles estavam comendo uma semente de coco e faziam um barulho estranho e muito alto.

     No entardecer paramos na beira de um rio para ver o bonito pôr-do-sol e curtir o movimento dos animais bebendo água. Voltamos para nosso chalé e começamos a preparação da nossa festa de aniversário de casamento, com os bons vinhos sul-africanos. Mas isso é outra história.

     Seguimos nossa rotina de levantar cedo, ver os animais, deslocamento ou simplesmente descansando nas horas mais quentes, vendo mais animais à tarde, jantar. Nesta parte de Botswana existem crocodilos e eles costumam visitar as áreas de campings. Por isso todo o cuidado é pouco, principalmente com restos de comida. Aliás, isso vale para todos os campings, nada de resto de comida por perto.

     Depois do Kasane seguimos para Nata e Maun. Encontramos pelo caminho mulheres Herero, que se vestem de forma antiga, com roupa muito colorida, turbante e que detestam ser fotografadas, a não ser por uma boa gorjeta. Vimos também as primeiras tribos dos Bushman (lembram do filme “Os deuses devem estar loucos”). Também conhecidos como San, eles falam uma língua totalmente estranha que inclui cinco diferentes estalos feitos com a língua. É muito engraçado. Num certo instante estávamos ouvindo o rádio do carro e tínhamos a impressão que era estática ou alguma estação que não pegava direito. Depois descobrimos que era uma entrevista falada nesta língua chamada “xnosa”. Além disso, a constituição física desta tribo é facilmente reconhecida. Basta ver um para saber que é um San.

     Certo dia, indo em direção a Nata, estávamos dirigindo rápido, pois era dia de jogo do Brasil, e tínhamos que chegar a alguma cidade para achar uma televisão. Na estrada fomos parados em uma barreira policial, comum por estas bandas, para verificar a documentação e checar se não éramos caçadores. Ao mostrar nosso passaporte os guardas se mostraram extremamente receptivos e começamos a discutir sobre o Brasil na Copa do Mundo. Eles falavam do empate com a Holanda, do gol do Ronaldinho de penalty, e que o Brasil estava na final. Sem entender o que acontecia, afirmamos que o jogo seria nesta noite e este era o motivo da correria. Depois de algum tempo descobrimos que trocamos a data e o jogo tinha acontecido na noite anterior. Menos mal, pelo menos o Brasil tinha ganhado. Seguimos felizes, mas desapontados. Pelo entusiasmo dos policiais tinhámos perdido um grande jogo.

     Estes postos de checagem às vezes assustam, pois, sem nenhum aviso, uma “cancela” é atravessada na estrada, junto com uma barraca de lona. Quando param um carro, estes policiais chegam com cara de mau e desconfiados. Mas ao checarem nossos passaportes, todos, sem exceção, se tornavam gentis.

     Em Maun ficamos num camping ao lado de um rio seco. No final da tarde fomos surpreendidos por uma fila de crianças que atravessavam o leito do rio em direção ao camping para buscar água. Eles deixavam um rastro de poeira e quando se aproximaram de nossa barraca começaram a cochicar e rir. Estavam curiosos sobre nós e nós sobre eles. Não conseguimos uma boa comunicação, já que falavam em dialeto. À noite ouvimos o som de tambores que vinha da aldeia destas crianças, do outro lado do rio. Parecia uma festa. Quando o som dos tambores cessou, começaram os sons da noite. Eram gritos das hienas, rugido de leões e outros sons de tantos animais estranhos, que ajudou a embalar nosso sono.

     Para sair de Botswana escolhemos o North Gate e dali seguimos até Popa Falls, já na Namíbia.  E vamos nós enfrentar mais uma fronteira.

  Namíbia

     Para sair de Botswana foi tranqüilo. Com a documentação carimbada seguimos em direção a uma guarita perdida no meio do nada. Era a fronteira da Namíbia. Mais uma vez, foi só mostrar o passaporte brasileiro e lá vinha o futebol. Todos adoram o Brasil, e não só o futebol, mas também querem saber da política, emprego, escolas e, óbvio, mulheres. Um dos guardas alegou que o Brasil seria campeão do mundo naquela copa porque o Pelé era Ministro dos Esportes. Errou feio na previsão.

     Depois de tudo pronto veio um pedido. Estava ali na fronteira um senhor com seu neto e que seguiriam até uma aldeia a alguns quilômetros adiante. Mesmo sendo contra nossos princípios resolvemos dar carona, pois nos pareciam pessoas honestas. Entraram pela porta de trás fazendo uma grande bagunça em tudo que estava lá e seguimos em frente. O neto nos explicou (ele falava Inglês) que eram da tribo dos Bushman (não precisava falar) e que, como os Bushman são coletores, eles normalmente têm problemas nas fronteiras, afinal o que eles precisam coletar para comer pode estar em qualquer lugar, independente de fronteiras políticas. Uma saída encontrada para os governos desta região foi providenciar para eles um passaporte “multi-país”, facilitando as idas e vindas de todos. Este rapaz estava muito feliz, pois tinha acabado de completar dezoito anos e recebido o passaporte definitivo. Seu avô só falava aquela língua estralada e para nós muito engraçada. Após alguns quilômetros o garoto pediu para descer, mas recomendou que levássemos o avô até a próxima aldeia. Tudo bem, desde que ele não tentasse bater um papo com a gente. Mais uma vez ouvimos barulhos estranhos e quando percebemos o velho estava comendo todas as balas que tínhamos comprado e que estava numa caixa no banco traseiro.  Adeus balinhas.

     Quando chegou na entrada do nosso camping, fizemos sinais mostrando que ele deveria descer ali. O senhor, no alto dos seus quase noventa anos, pegou uma sacola, colocou nos ombros e saiu do carro andando firmemente, parecendo uma pessoa muito mais jovem Ficamos impressionados com sua agilidade Deve ter sido efeito das balas.

     Chegamos em Popa Falls, na região do Caprivi e dali era possível ver Angola, que faz fronteira com a Namíbia. Os dois países são separados apenas pelo Rio Okavango. Esta região é conhecida como um dos locais com maior foco de malária do mundo. Montamos acampamento e saímos para comprar algumas coisas. Nos informaram na guarita de entrada do camping que havia um shopping center muito perto dali. Shopping Center? Em tempo: a guarita do camping havia pegado fogo e o que sobrou foi somente uma mesa, no meio dos escombros, onde o guarda-parque atendia as pessoas.

     Fomos procurar o shopping e achamos: Shopping Center Divundu.

     Nada mais era que um armazém cujos donos eram portugueses e que vendiam de tudo: de tamanco a agulha, de arroz a querosene, tecidos e lenha. O verdadeiro armazém português. Foi engraçado conversar com a dona de lá e ouvir aquele sotaque característico. Fizemos nossas compras e voltamos ao camping. Ali curtimos mais as águas do que animais. Foi um bom lugar para descansar.

     De Popa Falls seguimos para o Etosha Park e decidimos ficar num camping chamado Namutomi. Tem excelente infra-estrutura e ali experimentamos nosso primeiro churrasco com carne de avestruz. Churrasco por aqui é chamado de “Braai”. No caminho vimos novamente diversos baobás e visitamos um que eles consideram o maior do mundo. Outra coisa que nos chamou a atenção foram as escolas para crianças que ficam ao ar livre, debaixo de árvores frondosas e com uma lousa improvisada.

     Aproveitamos nossa estada no Etosha e circulamos muito, vimos mais animais diferentes, acordamos à noite com rugido de leões, tentamos expulsar um chacal que insistia em participar do nosso churrasco de avestruz, tiramos fotos de hiena que estava bem ao lado do carro e curtimos o silêncio.

     A final da Copa do Mundo estava chegando e decidimos ir para Windhoek, capital da Namíbia, para assistir o jogo. Chegamos lá, achamos um pequeno hotel com televisão e saímos pela cidade para reconhecimento. A cidade é muito bonita, organizada, agitada, com prédios coloridos e trânsito intenso.

     Achamos um Pub irlandês, O’Hagans, com boa comida, cerveja gelada e muitas televisões. Perguntamos sobre a final do campeonato e fomos informados que estavam preparados para aquela noite. Voltamos à pousada, descansamos um pouco e, faltando uma hora para o início do jogo, fomos para lá. O bar já estava cheio, com muitas bandeiras brasileiras e francesas. Alguns usavam camisetas do Brasil com o número nove nas costas. A sensação é que a metade do pub torcia pelo Brasil e a outra torcia pela França. Conseguimos um lugar e descobrimos que só nós dois éramos brasileiros. Viramos notícia. Começamos a conversar com um português e sua namorada alemã, tomamos muitas cervejas e participamos daquela derrota humilhante. Ninguém acreditava no que via, nem os que torciam pela França. Ressaca moral.

     Aproveitamos mais algum tempo em Windhoek e nos preparamos para mais uma etapa que seria cortar a Costa do Esqueleto chegando ao Atlântico. Cruzamos este deserto inclemente, mas muito bonito, até chegar à cidade de Swakopmund, que parece um oásis no final da estrada. A cidade é bem alemã, com muitos hotéis, pousadas e restaurantes servindo frutos do mar. Por aqui nada de grandes animais, a não ser alguns pelicanos. Gastamos o tempo visitando a cidade de Wavis Bays, vimos uma grande empresa que extrai sal marinho, que é totalmente cor-de-rosa, muitas caminhadas e, novamente, preparação para mais uma etapa complicada.

     Saímos de Swakopmund e seguimos em direção a Fish River. Esta parte da viagem seria somente por estradas de terra, pelo meio do deserto e lugares inóspitos. Por experiência tínhamos nossa sobrevivência para os cinco dias recomendados. No meio do caminho passamos por um posto de gasolina chamado SOLITAIRE. Dá pra imaginar o lugar? Uma coisa interessante nesta região são as montanhas com o topo plano. São formações rochosas imensas e que realmente parecem mesas gigantescas. A mais famosa está na Cidade do Cabo e se chama Table Mountain.

     Toda esta parte do deserto da Namíbia é fantástica. Fish River, com seu grande canyon, Sesrien, Sossuslei, com suas famosas dunas, Luderitz, com suas minas de diamantes de aluvião e as cidades fantasmas são visitas obrigatórias. Algumas coisas chamam a atenção: em certo trecho de uma estrada (muitos quilômetros) é proibido parar. Uma grande quantidade de vidro moído é jogada no acostamento e existem diversos guardas armados prontos para agir. O problema é que o diamante nesta área é de aluvião, ou seja, não é necessário minas para achá-los. Eles estão à vista. Por isso a proibição de parar.

     Outra coisa que chama a atenção são os cavalos que vivem no deserto. Eles são pequenos e tem uma necessidade mínima de água. Podem viver até cinco dias sem beber nada. São chamados de cavalos-camelo.

     As dunas de areia são famosas, inclusive já serviram de locação para filmagens de um comercial brasileiro para uma famosa marca de cigarros. Elas são conhecidas por números, ou seja, Duna 4, Duna 17. São muito altas, com até 300 metros de altura. Assistimos ao por-do-sol do alto de uma delas e aproveitamos para brincar, rolando duna abaixo. Algumas vezes existem lagos secos e salgados entre elas. É uma visão muito bonita, mas perigosa. É muito fácil se perder entre estas montanhas de areia e não saber para onde ir. Certa vez deixamos nosso carro estacionado e andamos por cinco quilômetros até alcançar um conjunto de dunas e um lago seco. No caminho achamos um galho ressacado, mas com duas flores brancas lindas, que mais pareciam pertencer a um jardim e não a um deserto. Depois de muito andar pelas dunas, subindo e descendo, nos perdemos. Só depois de algum tempo conseguimos avistar grandes pedaços de madeira fincados na areia que serviam de guia até um ponto conhecido. Belo susto. Na volta até o carro descobrimos que aquela região é cercada por leopardos e dava para ver carcaças de animais abatidos por eles. Com certeza foram os cinco quilômetros, andando em areia fofa, mais rápidos que já fizemos.

     Nesta viagem tínhamos uma preocupação que era sempre manter a barraca absolutamente fechada. Ela era de lona bem grossa, o que dava uma certa segurança contra animais maiores, mas contra escorpião, cobras e lagartos o melhor era manter o zíper absolutamente fechado.  Em condições de deserto os animais se tornam muito perigosos e peçonhentos, já que as chances de sobrevivência nestas condições são poucas. Até mesmo as árvores são espinhosas, como forma de preservação. Assim todo cuidado era pouco.

     Depois de alguns dias neste desertão seguimos viagem em direção à África do Sul. Nosso próximo passo era pegar um trem na capital, seguir até a Cidade do Cabo e terminar nossa viagem por lá. Fomos em direção à fronteira, mas já com uma ponta de saudade destes três países incríveis, com seu povo alegre e receptivo, seus animais selvagens, seus desertos, montanhas, savanas e florestas. Mas o tempo não para. Era hora de partir.

De volta a África do Sul

    Cruzamos a fronteira com a África do Sul e tudo parecia diferente. Era um outro lugar. Diferente, mas com beleza própria.

     Depois dos trâmites legais seguimos até uma pequena cidade chamada Kurumã. Achamos um pequeno hotel, nos hospedamos e saímos para lavar o carro (estava realmente muito sujo depois de toda a viagem). Ali era somente uma parada estratégica, já que não daria para dirigir da Namíbia até Randburg.  Gente estranha existe em qualquer lugar e ali não poderia faltar. Dois homens, do estilo que no Brasill olhamos e sentimos um certo receio, nos seguiram por um bom tempo. Desconfiados e usando da nossa experiência de brasileiros, conseguimos nos safar da dupla.Jantamos, dormimos e no dia seguinte, bem cedo pegamos a estrada novamente. Chegamos no meio da tarde a Buffalo Campers, devolvemos o carro e ganhamos uma carona até a mesma pousada que havíamos ficado quando chegamos à África do Sul. Era uma sensação estranha estar a pé novamente. Sem grandes programações, nos restou voltar à noite ao Waterfront para jantar e nos despedir.

     No dia seguinte pegamos um táxi até a estação ferroviária para seguirmos para Cape Town. O mais estranho foi que no táxi, além do motorista, tinha um segurança. Avisaram-nos que o centro de Johanesburgo era extremamente perigoso, com muitos bandidos, assaltantes e seqüestradores. Não pagamos para ver e tão logo descemos do táxi entramos na estação e fomos direto ao guichê comprar nossos bilhetes. A estação era moderna, com um movimento bem grande de pessoas que não pareciam tão preocupadas com esta violência.

Esperamos umas poucas horas para embarcar, já que o trem estava atrasado. Enquanto isso observávamos as pessoas, com trajes diferentes. Vimos Herero e outras pessoas que certamente pertenciam a outras etnias.            

Fizemos o embarque rapidamente e nos preparamos para uma viagem de quinze horas. O trem, muito moderno, oferecia todas as condições para uma boa viagem. Na cabine tínhamos privacidade e um kit para dormir, que nada mais era do que cobertores e travesseiros. Isso foi necessário porque a noite fez um frio insuportável.

   Algumas recomendações devem ser seguidas nesta viagem de trem. Se sair da cabine, tranque a porta. Quando o trem parar em alguma estação, feche as janelas. Cruzando alguma cidade ou lugarejo, mantenha as janelas fechadas. Tudo por questões de segurança. Já ocorreram diversos roubos e violência, inclusive é comum moradores jogarem pedras.

  Chegamos de manhã na Cidade do Cabo e fomos direto as “Informações Turísticas”. Lá conseguimos mapas, dicas e uma indicação de um hotel legal. Era um flat, com quarto e cozinha. Foi a escolha certa. Ficava bem localizado e o apartamento era espaçoso.

  A Cidade do Cabo nos fez lembrar o Rio de Janeiro, inclusive no que o Rio tem de pior. A violência. Diversos meninos de rua estão sempre prontos para agir. Se distrair, eles roubam. Não vimos nada e passamos ilesos, mas, por experiência de brasileiros, andávamos sempre atentos, evitando algumas ruas e lugares em alguns horários.

   Com suas diversas praias, bares e restaurantes, a cidade é muito alegre e receptiva. Aproveitamos para caminhar bastante e visitar tudo o que era possível. Lá também tem o Waterfront, só que em maior escala e mais bonito. Existe um aquário incrível que em uma de suas partes tem grandes paredes de vidro, algumas voltadas para o mar. Diversos restaurantes, bares, boates e uma marina completam o complexo. Nos domingos acontecem feiras de artesanatos e artistas de rua se apresentam. Bem parecido com o Brasil.  Fomos até o Cabo da Boa Esperança e conhecemos aquele que foi um marco na história da navegação. Subimos a Table Mountain e conhecemos um pequeno animal chamado “Dassii”, que dizem ser um parente próximo do elefante. A diferença de tamanho entre eles é enorme e mesmo olhando com muito cuidado não conseguimos achar nada parecido entre eles.

   Depois de ótimos dias nesta cidade era hora de terminar a viagem. Com pena, novamente, pegamos um táxi até o aeroporto e voltamos ao Brasil.

    A África ficava para trás, mas nos marcou muito. Foi bom conhecer um pequeno pedaço do mundo que é parte integrante da nossa história. Foi bom conhecer a alegria sincera de um povo, que mesmo sofrido, tem sempre um sorriso aberto. Foi bom ouvir este povo cantando no final da tarde, não um canto de lamento, mas um canto forte, vigoroso e alegre. Foi bom sentir o carinho que eles têm por nós e nos vêem como uma nação irmã, onde vivem milhares de seus antecedentes. Foi bom ver toda a exuberância de sua paisagem, os seus desertos, suas savanas, seus animais livres e seus pássaros de cores brilhantes.

       Só não foi bom ver o Brasil perder da França. Que vergonha!!!

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