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O Desafio

 

 O maior desafio seria escrever um livro de viagens. 

 

Quando voltamos de uma viagem de carro ao Alaska, no início dos anos 2000, começamos a escrita dessa nossa “aventura”. Essa não foi a primeira viagem, mas até então tinha sido a mais longa. Ficamos pensando o que abordar e a quem seria destinado um livro. Era um material e um tema muito rico e o viés poderia ser tanto motivacional como comportamental, ou um guia de viagens e dicas, dentre outros assuntos. Diante da indecisão resolvemos fazer um site que ficou no ar por muitos anos.

 

Esse site contava não somente sobre essa viagem, mas também sobre outras, o que resultou em convites para palestras, entrevistas, programa de TV e, por vezes, fomos o centro das atenções nas festas e encontros de amigos, e amigos de amigos. Todos queriam saber mais sobre as viagens e, especialmente, sobre a nossa “Expedição Alaska 2001”.

 

Contamos e recontamos histórias inúmeras vezes. Então, percebemos que as pessoas gostavam dos “causos”, perrengues e histórias divertidas durante o percurso. 

 

As pessoas davam muita risada com a história do frentista que, vendo o carro todo adesivado ficou pensativo e perguntou: “- ‘cês’ vão pro Alaska mesmo?”. Ficamos aliviados, porque quando dizíamos que estávamos indo para o Alaska de carro muitos duvidavam ou não assimilavam a informação. Afinal, quem iria para o Alaska de carro? Mas, dessa vez, tinha sido diferente. Respondemos felizes: “sim, estamos indo para o Alaska.” Então veio a outra pergunta do frentista: “- e a que horas ‘cês’ chegam lá?”

Essa e outras histórias estão muito presentes na nossa memória, com muita riqueza de detalhes. Contar e recontar esses “causos” é viajar de novo. Por isso, resolvemos viajar, novamente, nesses relatos e levar outras pessoas a viajarem conosco. 

 

Não temos nenhuma pretensão literária, artística ou mesmo financeira ao lançar esse texto-relato, mas gostaríamos que as pessoas pudessem sentir o que sentimos, nem que seja para nos chamarem de “loucos”. 

     

Dar dicas de viagem pode ser um grande perigo porque, o que para nós é uma grande viagem, pode ser um grande “mico” para outras pessoas. Somos “nomads” e vamos para onde o nosso nariz aponta. Temos algumas esquisitices.     Desde 2013 decidimos viajar a pé. 

     

Tudo começou quando resolvemos fazer o Caminho Português de Santiago de Compostela, partindo do Porto. Já era ideia antiga, mas sempre aparecia uma outra viagem. Finalmente, em setembro daquele ano resolvemos caminhar. Seriam 10 dias (240 km), mas o combinado era de que poderíamos parar a qualquer hora. Não paramos e seis meses depois percorremos o Caminho Francês (930 km), partindo de San-Jean-Pied-de-Port e até hoje não conseguimos mais parar. 

     

Daí veio a dúvida: por onde começar a contar essas histórias? Pensamos em contar casos aleatórios, mas ficamos com receio de virar uma bagunça na cabeça do leitor. Misturar viagem a pé com viagem de carro, ou viagem pelo deserto com acampamento na África não iria dar certo. Pensamos numa lógica, mas as nossas viagens não têm muita lógica.     Afinal, são mais de quatro décadas viajando do nosso jeito. 

Enfim, veio a ideia de começar pela viagem mais longa. E, como pretendemos continuar viajando e alimentando esses relatos, as outras histórias seguem numa sequência não cronológica que pode ser lida de acordo com a vontade do leitor. Afinal esse é um texto-relato de “histórias sem fim...”. Dessa maneira, o que vamos contar está dividido em partes. 

   

Na primeira parte, Expedição Alaska 2001, vamos viajar 410 dias por 73 mil quilômetros e por 16 países. Serão 27 fronteiras, com muita burocracia, o que exigiu muita paciência e senso de humor num calor de 42 graus positivos e com frio de 25 graus negativos. Passaremos por estradas interrompidas, pontes caídas, chuva no deserto, travessia de rios e encontros inesperados com ursos. Enfim, falaremos sobre os nossos novos amigos e da felicidade imensa de ter realizado um sonho. 

     

Na segunda parte, Colocando o pé no Mundo, contaremos as nossas viagens pelo mundo, sem esquecer de que antes viajamos o Brasil quase todo. Foi importante ver o nosso Brasil com os nossos próprios olhos, para depois contar as histórias do nosso país para as pessoas daqui de dentro e para as pessoas do mundo lá de fora. 

     

As histórias lá de fora também são muitas. O nosso début foi o Peru, depois voamos mais alto e fomos para a Europa. Tomamos gosto e chegamos ao Canadá, Estados Unidos, Grécia, Egito, Israel. Queríamos mais e viajamos para o outro lado do mundo, Índia, Nepal, Hong Kong e Macau. Depois resolvemos viajar o sul da África acampando. Foram muitas emoções na África do Sul, Zimbabwe, Botswana e Namíbia. 

     

Nos nossos 25 anos de casados resolvemos fazer alguma coisa diferente. Escolhemos passar a data no Monte Roraima, mas uma mudança de rumo nos levou para a Selva Amazônica. Um off-road no nosso país cairia bem, foi o que pensamos quando viajamos para a Chapada Diamantina. E uma expedição ao fim do mundo? Também caiu muito bem, porque foi lá, no “Fim do Mundo”, que decidimos conhecer a outra extremidade, o “Topo do Mundo”. 

A terceira parte, Caminhando por aí, será a vez de contar as nossas aventuras pelos caminhos que percorremos a pé.   Começaremos pelos caminhos que levam a Santiago de Compostela. O primeiro foi o Caminho Central Português, seguido pelos caminhos Francês, Caminho do Norte, Caminho Primitivo, Caminho Sanabrês e Caminho Inglês. Ficamos sabendo da Rota Vicentina/Trilho dos Pescadores, na Costa Alentejana e Algarve, em Portugal. E lá fomos nós.     Caminhando, descobrimos outras rotas lindas, dentre elas, o Le Puy, na França, que também conferimos. Depois disso, fomos caminhar na Itália. Primeiro, na parte central da Via Francigena, do Vale d’Aosta a Roma. Fizemos o duro Caminho de Santo Antônio, seguido pelo Caminho de São Francisco. 

   

Na pandemia tivemos que cancelar, com dez dias de antecedência, um caminho todo planejado, a Via Francigena Nord.  Esse caminho, que começa em Canterbury (Inglaterra), percorre parte da França e Suíça, chegando ao Vale d’Aosta, de onde partimos em 2018 até Roma. 

   

Terminado o período da pandemia, pelas regras sanitárias de cada um dos países mencionados da Via Francigena Nord, não conseguimos retomar essa ideia, naquele momento, e escolhemos a Sicília como destino. Assim, caminhamos a Via Francigena Magna e depois seguimos o Caminho pelas montanhas, de Palermo a Messina, sob o forte sol siciliano.  

 

Esse último, foi um caminho técnico e duro, agravado pelo clima seco, influência da África não muito distante. O bom senso, depois de um “stress térmico”, nos levou a parar um pouco antes de completar a nossa jornada, o que nos deixou com um gostinho de “quero mais” e uma lembrança das belas paisagens sicilianas. 

E, finalmente, em 2023 concluímos a Francigena Nord, abortada em 2019 pela Covid. Mas, certamente, não ficamos por aqui, vieram e virão outros caminhos mais a percorrer como, por exemplo, o Alpe-Adria-Trail que, por problemas “técnicos”, caminhamos somente parte da Eslovênia e Itália em 2024.     

 

Sem mais lero-lero, o que esperamos é que essa seja uma leitura divertida e que vocês embarquem conosco nessas histórias. E de quebra, ficaremos felizes se conseguirmos mostrar, através dos nossos relatos, que mesmo que os sonhos sejam complicados e estapafúrdios, eles ainda podem e devem ser vividos. Boa viagem!

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