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De carro pelo sul da África:

África do Sul, Zimbabwe, Botswana, Namíbia 

O primeiro rugido de leão a gente nunca esquece...

           

Um dia um amigo em São Paulo contou sobre uma viagem fantástica. Ele e a esposa viajaram de carro no Sul da África. Na hora falamos: - “vamos?” Alugamos, pela internet, um carro 4x4 para viajar pela África do Sul, Zimbabwe, Botswana e Namíbia. O carro tinha todo equipamento de camping. 

           

Embarcamos à noite em São Paulo e chegamos a Johannesburg no início da manhã. Fomos para um B&B em Randburg, que fica a 35km do aeroporto. Foi uma escolha acertada. Tanto o B&B quanto a cidadezinha eram muito legais. Não ficamos muito tempo, mas foi o suficiente para conhecer o complexo do Water Front, com seus restaurantes e lojas. 

           

Já no dia seguinte, fomos buscar o carro, num sítio próximo dali. O casal, muito simpático, nos entregou um Toyota. Tivemos que nos acostumar com a direção do lado contrário. Pegamos a estrada e nessa noite acampamos em Louis Trichard, a uma hora da fronteira com o Zimbabwe. 

           

Durante o dia o clima estava quente, mas à noite gelava. Acordamos cedo e seguimos para a fronteira. Antes de cruzar uma enorme ponte fomos advertidos, em africâner, para não pararmos para ninguém. É lógico que não entendemos nada e o guarda explicou, novamente em inglês, que muitos bandidos ficavam na ponte. Usavam roupas militares e faziam sinal para o motorista parar. E, quando paravam eram assaltados. A ponte era uma “terra de ninguém” e a polícia de um país e do outro não intervinham. Então, respiramos fundo, aceleramos e cruzamos. De fato, nos deparamos com um daqueles bandidos pedindo para parar. Não hesitamos e seguimos em frente.           

 

Já em Zimbabwe, fizemos as burocracias de fronteira e fomos para Bulawayo, a segunda maior cidade, depois de Harare que é a capital do país. 

 

Bulawayo era uma cidade de contrastes. Tinha longas avenidas arborizadas com jacarandás, casas coloniais e prédios antigos, limusines brilhantes e carros de safari empoeirados. Ficamos numa pousada muito agradável, ao lado de um restaurante. Era preciso fazer reserva para o jantar e o dono da pousada ofereceu para nos ajudar. Ficamos um pouco desconfortáveis, porque pensamos ser um daqueles restaurantes caros, tomando como parâmetro os carros novos e caros que estavam no estacionamento. Todos os clientes estavam muito bem-vestidos. Mas, para a nossa surpresa não era um restaurante caro. Nós estávamos bem à vontade, com roupas confortáveis e calçando botas. Apesar disso, ninguém se incomodou conosco e foi uma noite muito agradável. 

 

O Zimbabwe é quase todo um parque. Estávamos no Hwange Park, um dos dez maiores da África. Por isso, às vezes, as estradas eram fechadas por cancelas e homens fortemente armados inspecionavam os carros. O objetivo era combater a caça. Mas, era bem tenso ser parado no meio do nada e ver os guardas se aproximando. Apesar disso, tudo se transformava quando sabiam que éramos brasileiros. Era época da Copa do Mundo e a conversa toda girava em torno dos jogos e da seleção brasileira. 

           

Enfim, chegamos numa área de camping e montamos, pela segunda vez, a nossa barraca. E o inusitado, para nós, aconteceu... Quando estávamos quase dormindo ouvimos o rugido de um leão. Foi muito emocionante! E, este foi apenas o primeiro de tantos outros leões e animais selvagens que ouvimos de dentro da nossa barraca...

 

Zimbabwe e Botswana

           

As áreas de camping nesses parques não são cercadas. São lugares abertos, mas com uma pequena infraestrutura próxima. Tem banheiros e, às vezes, um mercadinho. Num desses dias, levamos um susto, enquanto estávamos sentados à porta da barraca conversando e olhando as estrelas. Um guarda armado se aproximou e disse que deveríamos preparar para dormir. Estes guardas armados ficam pela área onde tem pessoas acampadas para segurança. Eles orientam não sair da barraca à noite. Isso porque, os animais podem circular no entorno, ou ainda, os guardas podem se assustar e atirar. Obedecemos e fomos dormir tranquilos. Mesmo porque, as barracas são mais reforçadas, o que nos dá maior tranquilidade e segurança. 

 

Era importante acordar bem cedinho, antes do sol nascer, porque era o melhor horário para ver os animais nos “buracos de água”. 

           

Dali seguimos em frente. Fomos em direção à Victoria Falls, uma cidade próxima às Cataratas com o mesmo nome. Victoria Falls é simplesmente espetacular. Têm aproximadamente um quilometro e meio de largura, no Rio Zambeze, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabwe. Na época, tinha o bungee jump, numa ponte de 111 metros de altura, considerado o maior bungee jump do mundo. Certamente, outros mais altos surgiram com o tempo, como, por exemplo, o Bloukrans Bridge Bungy de 216 metros de altura acima do rio Bloukrans, na África do Sul. 

           

No caminho, entre um camping e outro, era possível ver hienas, elefantes, hipopótamos, babuínos e muitos outros animais. Num certo dia, paramos para ver um elefante enorme. Este elefante queria atravessar a estrada, mas não sem antes checar a segurança para a manada, que vinha atrás, atravessar também sem riscos. Desligamos o motor do carro e ficamos ali parados admirando a cena. Um outro carro parou ao nosso lado e, também, desligou o motor. O elefante, parecia estar confiante e a manada aproximou da estrada. De repente, não sabemos o que deu no outro motorista. Ele ligou o carro e acelerou feito louco assustando os elefantes. A manada recuou e o elefante enorme abriu as orelhas e veio para cima de nós. Foi uma situação de muito perigo. A Vera, que estava na direção, precisou ligar o carro e acelerar. Lembrando que, com a direção do lado direito e sem muita prática nesse tipo de carro, toda a ação era mais lenta. O Helinho gritava, acelera, acelera.... Não sabemos como conseguimos sair daquela situação, sem que o pior tivesse acontecido. Infelizmente, a bandeirinha do Brasil ficou para trás. E, felizmente, não aconteceu nenhum problema maior. E o idiota do outro carro? Ah, esse não vimos mais. Mas, um pouco mais a frente vimos um carro tombado, com parte da presa de um elefante enfiada na lataria. Isso é o que poderia nos ter acontecido, por culpa de um imbecil e irresponsável. 

           

Depois do susto, seguimos em frente. Com tantas emoções, resolvemos ouvir um pouco de música e curtir o final de tarde ainda na savana. Ligamos o rádio, mas parecia que tinha alguma interferência. Parecia estática. Só depois aprendemos que as “interferências” que ouvimos era alguém falando em xhosa. Este é um dos idiomas oficiais da África do Sul e do Zimbabwe, e que tem uns cliques, feitos com a língua, nas palavras. Muito estranho e divertido de ouvir. 

           

E assim seguimos, acampando, até entrar em Botswana. Na fronteira, deparamos com um dilema. Os guardas pediram uma carona para um velho “Bushmen” e seu neto. Lembram do filme “Os deuses devem estar loucos”? Pois é, eles eram da mesma etnia. Na verdade, este povo “San” (ou Bushmen), são coletores, originários dessa região, mas esbarram no problema das fronteiras. Com isso, eles precisam de uma autorização para transitarem entre países. O neto exibia, com muito orgulho, a permissão que tinha acabado de buscar. 

           

Normalmente, não damos carona, por motivos óbvios. Mas, com o pedido do guarda, e quando vimos os dois precisando da carona, resolvemos ceder. Lá fomos nós quatro. O problema foi que o neto desceu antes. E sobrou o velho “San”, que não falava uma palavra em inglês. Nosso camping estava logo depois que o menino desceu do carro e nós não sabíamos o que fazer com o velho avô. Mostramos onde nós ficaríamos. Ele desceu, e saiu andando firme pela estrada com uma sacola nos ombros. Ficamos com pena e voltamos para levar até uma estrada mais a frente, onde ele desceu e ficou muito agradecido. E agradecido também por todas as balas que ele achou no carro e chupou. Só descobrimos por causa do barulho de papel e da mastigação do velho San, mas aí já era tarde. 

           

Neste dia, ficamos num camping, numa das regiões considerada de grande foco de malária, à beira do rio Zambeze. Quando chegamos, vimos um senhor sentado numa mesinha ao ar livre, porque a recepção tinha pegado fogo. Não tinha nada, mas o senhor disse que mais a frente, na estrada, encontraríamos um shopping. Já pensamos logo num Shopping Center e seguimos bem empolgados com a informação que recebemos. Mas, chegando no local indicado, encontramos uma pequena mercearia de uns portugueses. Conversamos um pouco, nos abastecemos para um modesto jantar e uma gelada noite, espantando os mosquitos, para evitar a contaminação da malária. 

           

No dia seguinte fomos para Kasane, que é a porta de entrada do Parque Nacional do Chobe e fica numa confluência de quatro países, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe. Era nosso aniversário de casamento. Ficamos observando os macacos, suricates e outros bichos que rondavam o camping. Inclusive, um aviso de que era para ter cuidado com os crocodilos, afinal a fazenda de crocodilos de Chobe não era muito longe dali. Então, decidimos ficar num Lodge. Era uma cabana, bem simpática, com o conforto que a data merecia e a segurança de que nem os suricates e nem os macacos entrariam pela janela, que tinha uma grade de proteção. Comemoramos mais um ano juntos, naquela aventura maravilhosa que era a África. 

Final da Copa do Mundo e o vexame do Brasil...

   

Estávamos no Chobe National Park, conhecido pela grande população de elefantes do tipo kalahari, os maiores em tamanho, e de leões que atacam os elefantes jovens. No final da tarde fomos próximo ao rio para ver uma manada. Eles realmente eram muito grandes e os filhotes ficavam protegidos, debaixo das fêmeas. 

           

Ficamos dentro do carro, absolutamente quietos para não os assustar, só observando. Eles nos rodearam e fizeram um reconhecimento. Os pequenos tentavam administrar as trombas, sem conseguir. Ouvimos sons graves e muito altos. Eram muitos “puns”, dignos de um animal daquele tamanho. Era muito engraçado, mas não podíamos gargalhar... Tivemos, a todo custo que nos conter, até que eles se afastassem. Foi divertido, inesquecível, mas um pouco corajoso da nossa parte. Afinal, estar entre uma manada daqueles elefantes selvagens é perigoso. E, Deus nos livre enfrentar aqueles brutamontes enfurecidos.  

           

Seguimos para Nata, uma pequena vila ao longo do rio homônimo e depois Maun. Vimos mulheres lindas da etnia “Herero”, uma vida selvagem farta e o Delta do Okavango, um dos maiores deltas interiores do mundo. Uma curiosidade sobre esse Delta é que a sua água evapora e nunca chega ao mar. É considerado uma das maravilhas da África. 

           

Bem, os dias foram passando e já estávamos entrando na Namíbia, no Caprivi. Acampamos em Popa Falls. 

 

Depois que armamos a barraca, onde não tinha ninguém por perto, vimos uma linha de poeira, vindo de longe. A princípio não entendemos, mas à medida que se aproximavam vimos que eram crianças carregando latas na cabeça. Elas foram buscar água num local bem perto de onde acampamos. Organizadas em fila, pegavam a água e voltavam para o caminho de onde vieram. E riam. Riam muito quando olhavam para nós dois. Ficamos ali admirados. E achando tudo lindo! 

           

A noite chegou, continuamos sozinhos e, sentados à porta da barraca, ouvimos os tambores, que estavam na direção de onde as crianças vieram. A vontade era ir até lá para ver, mas fomos ensinados a não entrar em festa sem ser convidados. Além do que, aquele era um lugar onde os donos eram os animais selvagens. Nessa noite dormimos com o som dos tambores e o “gargalhar” das hienas, que rondaram a barraca. 

 

Dali seguimos para o Etosha National Park. Nessa altura já nos sentíamos parte de todo aquele cenário. Então, resolvemos fazer um “braai” (churrasco) africano.

           

O camping tinha umas churrasqueiras típicas e um mercadinho. Decidimos experimentar a carne de avestruz, comum na região. No meio do churrasco, percebemos um intruso. O Helinho pensando que era um cachorro bateu o pé e o afastou do nosso churrasco. Mas, ele ficou de longe observando, só na espreita. Foi quando percebemos que não era um simples cachorro, mas um chacal. Acabou com a nossa festa, mas não com o nosso bom humor. Tivemos que ficar com um olho no churrasco e outro no chacal. 

           

Seguimos em frente, e chegamos em Windhoek, a capital da Namíbia, exatamente no dia do jogo decisivo da Copa do Mundo. Fomos para um pub assistir a final. O mais interessante foi ver que, a metade das pessoas torcia para a França e a outra metade torcia para Brasil. Não faltaram nem as bandeiras e nem as roupas com as cores do Brasil e da França. Durante o jogo, algumas pessoas perceberam que nós éramos brasileiros. Perguntaram o que estava acontecendo com o Ronaldo. Ninguém sabia e nem nós soubemos responder sobre aquela péssima atuação. Ficamos tão envergonhados com aquele jogo que saímos “a francesa”. Mas, o nosso clima era outro e não nos deixamos abater. Seguimos viagem em direção ao Deserto da Namíbia e da Costa do Esqueleto...

 

A Costa do Esqueleto, as dunas ... 

           

Atravessamos o Deserto da Namíbia, em direção à Costa do Esqueleto. As dunas desse deserto são ativas. Estão sempre em movimento por causa dos fortes ventos e da quantidade de areia. Seguimos, e chegamos em Swakopmund, na costa. Uma cidade em pleno deserto, tipicamente colonial alemã, conhecida na região pelos seus esportes radicais e pela criação de dromedários. 

           

Essa costa possui dunas altíssimas, como a “Duna 7”, por exemplo. Claro, partimos para conhecer e, realmente, ficamos muito impressionados ao subir pela sua crista. Não resistimos e descemos correndo, partindo do seu ponto mais alto. Delícia de sensação! Mas, também um pouco irresponsável. O deserto não é brincadeira. É um lugar onde os animais mais peçonhentos se escondem. Cobras, escorpiões, dentre outros animais venenosos. Mas, como não pensamos duas vezes ao descer a duna correndo, foi ótimo. 

           

E, seguimos a Costa do Esqueleto. O seu nome se dá pela grande quantidade de ossos de baleias, focas e embarcações naufragadas. É deserto, é árido e não há nenhuma vegetação. Estávamos indo em direção de Sesriem, um pequeno povoado, próximo às montanhas Naukluft. Na verdade, Sesriem é o portão de entrada para o Namib Naukluft National Park e a principal atração são as dunas de Sossusvlei.

           

Aqui será necessária uma pausa para uma explicação. Vera tinha a seguinte teoria, sobre os animais: se você os respeita e não os ameaça, consequentemente, também te respeitarão e não atacarão. Se você os ameaçar, eles, certamente, vão te atacar. Ponto.

           

Continuando, fomos para Sossusvlei, mas o carro precisava ficar estacionado longe. Tínhamos que ir a pé. As dunas vermelhas do Deserto da Namíbia são, simplesmente espetaculares. Nem importamos com a distância porque o cenário era estonteante. E a Duna 45 era a mais fantástica. As árvores petrificadas, em meio as dunas, foi uma visão que nunca mais esquecemos. É um lugar fácil de se perder também. Mas, depois de uma perdidinha leve, e sozinhos naquela imensidão, resolvemos que era hora de voltar.

           

Achamos o caminho e nos deparamos com uma carcaça de animal. Tudo bem, estávamos na África. De repente, vimos uma pick-up em velocidade e um animal correndo, que não identificamos. Parecia que eram caçadores armados. Opa! Onde há carcaça, há caçadores, tanto humanos quanto animais. 

           

Ficamos com receio e começamos a andar rápido, mas a Vera em disparada, lembrando que por ali tinha leopardos. Nunca a Vera andou tão rápido em cima de uma areia tão fofa. O Helinho tentava acompanhar, enquanto provocava: - “onde está a sua teoria agora?” Ficou na teoria mesmo porque na prática a vontade era chegar ao carro rápido. Batemos o recorde de velocidade nos 5 km! Chegamos seguros, mas exaustos por causa daquele pesado terreno. 

           

No dia seguinte, fomos para Sesriem Canyon. Mas, esse foi um dia bem esquisito. Chegamos ao Canyon, paramos o carro e deparamos com uma caverna. Dentro, vimos o que pareciam umas luzinhas, ou uns olhinhos. Deu arrepio! Podia ser alguns animais, morcego..., mas que era arrepiante, isso era. Resolvemos sair dali. Como de costume, pegamos uma pedra de lembrança. Quando estávamos indo embora, não sabemos como, o pneu do carro rasgou. Uma sensação esquisita tomou conta dos dois. Olhamos para a pedra e mandamos longe. Sei lá, tudo naquele dia era estranho demais para entendermos. Enfim, fomos embora com uma sensação esquisita. E, até hoje quando lembramos não sabemos o que eram aqueles “olhinhos assustadores”. Mas, seguimos em frente, compramos um novo pneu e a viagem continuou.

 

Os diamantes são eternos...

           

Continuamos viajando pela costa e chegamos em Maltahöhe, uma pequena vila. Depois, seguimos para Luderitz, uma cidade portuária de onde Amyr Klink partiu rumo a Paraty. Fomos conhecer Kolmanskop, uma cidade fantasma, construída pelos alemães, que exploravam diamantes. Foi abandonada, quando depósitos mais rentáveis foram descobertos mais ao sul. 

           

Essa é uma região que tem uma grande quantidade de diamantes de aluvião. Isso é, são os diamantes que brotam da terra, sem necessidade de cavar. Por isso, as estradas são vigiadas e muitos vidros quebrados são espalhados nos acostamentos. Recomenda-se não parar, com risco de ser alvejado a tiros. 

           

A nossa última parada na Namíbia, foi Fisher River Canyon, mais uma das belas áreas do país. É no Main Viewpoint que é possível ver a curva do cânion, chamada de Hell’s Bend. Mas, existem outros pontos interessantes para apreciar aquela maravilha. E, assim, com esse visual na memória, saímos da Namíbia e retornamos à África do Sul. Chegamos por Kuruman, dessa vez, sem o estresse da “terra de ninguém”, onde éramos mais vulneráveis. Mas, não escapamos de um quase incidente. 

           

Enquanto estávamos num supermercado, vimos alguém na espreita. Ficamos observando o homem que veio em nossa direção, claramente com segundas intenções. Mas, como bons brasileiros, percebemos a ação e nos safamos. Isso não nos causou nenhum problema. Só passamos a ter mais cuidado. A cidade é conhecida pelo “olho de Kuruman”, que é uma nascente de águas cristalinas capaz de alimentar, não somente o rio Kuruman, como fornecer água para a toda a cidade e para irrigações.

           

E, finalmente, voltamos a Randburg. Devolvemos o carro para o simpático casal. Mas, a nossa viagem não acabaria aí. Resolvemos ir de trem para Cape Town que ficava quase 1.500 km de distância. 

           

Como estávamos fora de Johannesburg, era preciso um carro para ir a Main Train Station que ficava no centro de Johannesburg. Marcamos um taxi, com a ajuda dos donos da pousada. Na manhã seguinte, no horário marcado, o motorista e um segurança armado chegaram para nos buscar. Achamos muito estranho, mas segundo o próprio dono da pousada era necessário porque existia o risco de assalto e sequestro na perigosa Johannesburg. Bem, lá fomos nós, escoltados.  E deu tudo certo. Para dizer a verdade, não vimos nada diferente do que vemos em São Paulo e outras grandes cidades brasileiras, mas se dizem que Johannesburg é uma cidade perigosa achamos melhor acreditar.  

 

A estação era nova, limpa e movimentada. Ouvimos muitas recomendações e quando entramos no trem também ouvimos a recomendação para não abrir janelas em hipótese alguma. Até hoje não sabemos se todas as precauções eram excesso de zelo ou se o perigo era real. Mas, não pagamos para ver e seguimos tudo conforme recomendado.

           

Depois de mais de quinze horas de viagem, chegamos a Cape Town para uma semana de descanso. Cape Town foi uma grata surpresa. A cidade era linda. Parecia o Rio de Janeiro menor. Conhecemos interessantes cantinhos do lugar, mas dessa vez a pé.

           

Começamos pela Table Mountain. Além da beleza e ventos fortes, vimos os Dassies, pequenos animais que dizem ser parentes próximos dos elefantes, apesar da enorme diferença de tamanho. Fomos ao Waterfront e ao Aquarium. Seguimos para o bairro Bo Kaap, com suas casinhas coloridas, e o Hout Bay, de onde é possível uma visita à Seal Island (ilha das focas). 

           

E quem nunca ouviu falar do Cabo da Boa Esperança? Pois é, visitamos o Castle of Good Hope, seu nome original. Visitamos as pinguineiras, o Green Point, Flea Market, Museus... Enfim, depois de muitas andanças pela cidade, era hora de voltar para casa e trazer conosco muitos aprendizados, histórias e vontade de voltar. Às vezes, nos perguntamos se nos fez falta não ir ao Kruger Park e nos hospedar no The Palace Sun City, como todo bom turista. Sinceramente, não! Depois de tudo que vimos e vivemos nesses dias acampados nos parques da África do Sul, Zimbabwe, Botswana e Namíbia não pagaríamos uma fortuna para ter um safari organizado...

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