
América do Norte
Volta
A volta (ou “ida”) rumo ao sul ...
Finalmente, todo o ritual foi cumprido a rigor. Não tínhamos muito o que fazer, depois de ter cruzado o Círculo Polar Ártico e de ter colocado os pés, as mãos e o nosso coração no Oceano Ártico, em Prudhoe Bay. Era hora de pensar em “ir” na direção sul.
A estrada mais isolada dos Estados Unidos é de cascalho, tundras e o solo permafrost, ou seja, uma camada de terra cobre uma camada imensa de gelo permanentemente. O tráfego de caminhões é intenso, sendo risco para os que ousam circular com carros menores. Não existe nenhum centro de apoio médico, alimentação, combustível, água ou outro socorro entre Fairbanks e Deadhorse. Os próprios caminhoneiros deram nomes para trechos da estrada: Taps, The Shelf, Franklin Bluffs, Oil Spill Hill, Beaver Slide, Surprise Rise, Sand Hill, Ice Cut, Gobbler's Knob, Finger Mountain, Oh Shit Cornera, Roller Coaster. E, por fim, a Dalton Hwy já foi parte do reality show “Ice Road Truckers” do canal por assinatura History.
À medida que fomos nos afastando de Proudhoe Bay o clima foi melhorando e o céu ficou azul, sem nuvens. O tempo por ali é bastante instável. Vimos a vida selvagem da região. Caribus cruzavam a estrada, perigosamente. Vimos os bisões, ursos, raposas, lobos, alces etc. E num certo instante, vimos um carro se aproximando. Isso mesmo, um carro que reconhecemos. Encontrar um carro de pequeno porte nessa estrada solitária no norte do Alaska é raro, ainda mais um carro que já tínhamos encontrado antes.
Pois bem, quando saíamos de Fairbanks, em direção a Proudhoe Bay, alguém que estava num posto de gasolina nos acenou. Era um casal de alemães e a filhinha. Eles também estavam viajando, num jipe Mercedes, de Ushuaia até o Alaska. Como nós, mas cada um à sua maneira. O casal disse que sabia da nossa expedição porque uma alemã, a Siegi que encontramos no camping perto do Mount St. Helena, comentou sobre nós e sobre a nossa viagem. E a “coincidência” não parou por aí. Assim como nós, eles estavam em Ushuaia na virada de 1999 para 2000.
Paramos na estrada deserta para conversar. Enquanto contávamos as nossas experiências de viagem até Deadhorse e Prudhoe Bay, avistamos um urso grizzly, aquele mais perigoso, que descia uma pequena montanha próxima a estrada. A primeira reação foi de entusiasmo. Eles são muito difíceis de serem avistados. Observamos o urso que comia, tranquilamente, sem se importar com a nossa presença. Mas, resolvemos não abusar da sorte e seguimos em frente. Nós, em direção a Fairbanks e eles para Deadhorse.
O restante da viagem foi com o dia muito claro e bonito. Conseguimos ver as paisagens e os montes nevados. Paramos no meio das montanhas, no Atigun Pass, na Brooks Range (Cordilheira). Aproveitamos também para, novamente, parar no marco, onde passa a linha imaginária do Círculo Polar Ártico. Dali seguimos direto. Estranhamente, quando a luz do dia permanece por longo tempo o cansaço não vem muito fácil.
Chegando em Fairbanks encontramos dois alemães jovens caminhando na estrada. Paramos para conversar. O projeto deles era ir a pé de Proudhoe Bay até Ushuaia. A previsão de chegada era de, aproximadamente, 4 anos. Nós já tínhamos tomado conhecimento da façanha deles. Por isso, quando os avistamos paramos. Isso era por volta da meia noite, mas o horário ali pouco importava, porque o dia ainda estava claro e muito bonito. Seguimos pela internet os dois alemães até que, chegando ao México, desistiram de seguir adiante e voltaram para as suas casas. Mas, ainda assim, essa foi uma grande viagem!
No dia seguinte cedo acordamos descansados e resolvemos colocar o carro em ordem. Tiramos tudo de dentro porque não tinha um só lugar onde a poeira não tivesse entrado. Limpamos tudo, deixando o Land impecável. Era sábado e resolvemos fazer como os locais. Fomos com o dia muito claro, ou a noite sabe-se lá, para a rua. Aproveitamos até o último instante, com pesar de deixar Fairbanks.
Seguimos no dia seguinte para o Denali Park. Acampamos dentro do parque – nós e todos os mosquitos e pernilongos da região. Depois de apreciar o lugar e o famoso Monte Mckinley, o mais alto pico da América do Norte, fomos para Anchorage.
Anchorage é a cidade mais populosa do Alaska, onde vive 40% da população. É moderna e movimentada. Conosco aconteceu um fato engraçado. Uma mulher costarriquenha, vendo o carro brasileiro, nos abordou e disse que mais tarde, num bar próximo, teria um show do Tim Maia. Na época, o Tim Maia já tinha falecido. Achamos aquela história estranha e decidimos ir ao bar conferir. Esperamos, mas depois de um tempo ficamos sabendo que o Tim Maia não apareceu para o show. Rimos muito da situação e ficamos certos de que, se não era possível ser o Tim Maia por motivos óbvios, era um sósia pra lá de criativo, inclusive não aparecendo ao show... E nunca mais soubemos dessa versão Tim Maia do Alaska.
Depois disso, fomos para a Península Kenai para conhecer os “Fjords”, o “Exit Glaciar” e a cidade de Seward e região. Vale dizer que a estrada que liga Anchorage à Península é espetacular.
Dali, seguimos para a pequena cidade de Palmer. A nossa chegada a Palmer foi bem engraçada. Isso porque, entrando na cidade, fomos perseguidos por um Vin Diesel do Alaska. O sujeito era careca e com uma grande tatuagem na cabeça, ou quase na nuca bem ao estilo do ator no filme “Triple X”. Ele dirigia um Jeep, modelo parecido com o usado na segunda guerra, sem capota. Fomos em direção ao camping e, de repente, ele entrou no camping atrás de nós. Aí ficamos assustados. A “perseguição” era séria. Quando descemos do carro, ele veio falar conosco. Disse que estava nos seguindo por causa do nosso carro. Ele e a esposa gostavam do Defender. Pediu para ver o motor do carro e para trazer a esposa pra ver também.
Na verdade, eles compraram um Defender 90, o sétimo carro de uma série especial de 200 carros lançado nos Estados Unidos. O carro era automático, acabamento de primeira, motor V8. Somente o designera igual ao nosso. No mais, era todo em conformidade com as leis americanas. Ficamos conversando por longo tempo. Neste dia, ou seria noite, o sol permaneceu além da meia noite. Era o “solstício de verão”. E esse foi mais um casal de amigos que foi para a lista. Mantivemos contato por muito tempo. Ele, apesar do jeitão truculento, era uma pessoa muito legal e ela, bem divertida. Falava gesticulando muito, o que era muito engraçado.
Finalmente, estávamos prontos para sair do Alaska, com todas as lembranças na memória. Nos sentimos mais “ricos” por termos conseguido atingir a nossa proposta. Descobrimos o valor do tempo, que dinheiro nenhum do mundo pode pagar. O prazer de conhecer pessoas, os lugares e o contato direto com a natureza foram impagáveis. Além disso, tínhamos a certeza de que saímos do Alaska com a sensação de missão cumprida. Afinal tínhamos um sonho e o esse sonho foi vivido.
Mais uma vez no Canadá…
Era hora de deixar o Alaska. Colocamos uma música da banda “Cake” e saímos da cidade. De repente, alguém andando pelado. Isso mesmo, o peladão cruzou a estrada bem na nossa frente, como se nada estivesse acontecendo. Ficamos espantados. Enfim, era o Alaska! Isso amenizou a nossa saída. Já tinha tanto tempo de viagem, mas ainda não tínhamos acostumado com as despedidas.
Seguimos pela rodovia Top of the World em direção a Dawson City, no Klondike, na província do Yukon no Canadá. A paisagem continuava bonita, mas numa estrada bem poeirenta. Passamos por um lugar chamado Chicken, onde vimos um pote de ouro (ops! Não podemos contar isso – superstição - rs). Foi uma viagem sem muita euforia, mas estávamos felizes por ter cumprido o nosso objetivo. Definitivamente, assumimos que não era uma volta, mas uma nova oportunidade de conhecer outros lugares, mais gente e coisas interessantes. Isso foi o que nos animou.
Chegamos a Dawson City. A cidade mantém o clima da época da “corrida do ouro”. Os prédios e as casas restauradas são bem conservadas. Algumas pessoas vestem trajes da época e as ruas são de terra. A cidade foi até o final do século XIX a maior a oeste de Winnipeg e ao norte de Seattle. Também foi a capital do Yukon até 1973, chegando a ter mais de 30 mil habitantes. Depois, a capital passou a ser Whitehorse. Este foi um lugar onde, além de apreciar a beleza da cidade, reencontramos duas australianas e um casal de canadenses de Quebec que conhecemos em Fairbanks, no Alaska.
De lá partimos para Whitehorse, Watson Lake e Dawson Creek, cidades que passamos em direção ao Alaska. Este é um roteiro obrigatório pela falta de opções de estradas naquela região. Agora dava para aproveitar melhor os lugares, longe da ansiedade de chegar ao destino. E decidimos que, a partir de Dawson City, o caminho seria todo de novidades. Isso porque resolvemos atravessar o Canadá de oeste para o leste.
Enfim, fomos para Edmonton, uma cidade grande e capital da província de Alberta. Demos mais uma grande atenção ao nosso Land, um bom banho e arrumação, já que a cidade tinha muitas opções de serviços. Segundo diziam, Edmonton tinha o maior shopping do mundo. Aliás, a cidade inteira parecia um verdadeiro shopping, com diversas lojas. Mas, era dentro desse “maior shopping do mundo” que estavam os shows de golfinhos, a réplica do fundo do mar e uma piscina imensa com ondas produzidas artificialmente. Nossa cabeça ainda não estava no “modo compras”. Por isso, seguimos para Calgary, conhecida pelos famosos eventos country e rodeos.
O “Calgary Stampede” é uma festa anual que dura dez dias. Reúne peões de vários países, competindo na montaria e no laço, com prêmios robustos para os vencedores. Como a festa estava próxima, vimos os preparativos. Circulavam muitos carros com trailers de cavalos, vaqueiros e muitos turistas, que começavam a chegar para a festa.
Infelizmente, e não sabemos o porquê até hoje, não ficamos mais tempo na cidade. Fomos para Drumheller. No “Vale dos Dinossauros” vimos um Tyrannosaurus Rex gigante de fibra de vidro com 26,2 metros de altura. Outras atrações e eventos acontecem pela região. Mas, naquele momento, o Calgary Stampede era o evento mais importante.
Uma nova paisagem surgiria a partir dali até Winnipeg. Os próximos 2.000 km foram totalmente “flat”, com fazendas, muito verde... fazendas, silos... fazendas, muito verde, seleiros, silos, muito verde... muitas fazendas... e nenhuma montanha. Uma visão que chegava ser monótona.
Sempre na mesma direção, Regina, capital de Saskatchewan, era o quartel general da polícia montada canadense. E, um dos eventos, para quem está na cidade, é a troca da guarda. Depois de muito rodar, e com merecido descanso pelo caminho, chegamos a Winnipeg, na província de Manitoba. Era o “Canada Day”. Aproveitamos para curtir a festa e seguimos rumo a Ontário. A paisagem agora era de lagos e montanhas, abandonando a pradaria.
Em Ontário, o nosso trajeto margeava o Lake Superior que mais parece um mar, inclusive com pequenas ondas. É o mesmo Lake Michigan, como é conhecido no lado americano. Resolvemos parar em Thunder Bay onde existe um monumento dedicado a Terry Fox, um jovem canadense de 18 anos que teve uma perna amputada por ter sido vítima de um câncer. Nos anos 80, depois de colocar uma prótese, Terry Fox decidiu fazer uma caminhada atravessando o Canadá. O objetivo era arrecadar dinheiro para a pesquisa da cura do câncer. Chegando em Thunder Bay ele teve que interromper a jornada. Sua saúde deteriorou. Ele estava muito debilitado, não conseguiu ir em frente e morreu pouco tempo depois. Ainda assim, conseguiu arrecadar alguns milhões de dólares. Até quando soubemos dessa sua história as doações ainda continuavam.
Seguimos, sempre margeando o lago. Chegamos em uma pequena cidade, de apenas 4 mil habitantes, chamada Marathon. Fomos para um camping que tinha uma área excelente. Só tinham dois motorhomes, que estavam bem distantes de nós. E, não havia nenhum funcionário para atender. Verificamos como registrar e pagar. O dinheiro era depositado numa caixa. O acesso à chave do banheiro, extremamente limpo, era mediante o depósito de 1 dólar. Como de costume, tomamos nosso aperitivo e depois do jantar fomos dar um passeio pelo lago. O pôr do sol, apesar de já passar das 10 da noite, estava lindo. De repente, fomos abordados por duas pessoas que estavam nos motorhomes. Vinham correndo ao nosso encontro, apavorados perguntaram se estava tudo bem. Achamos estranho. E falamos que sim. Vendo que estávamos bem, disseram que tinham dois ursos bem atrás de nós. Os ursos só se afastaram porque o cachorro deles latiu e os assustou. Não vimos nada disso. Ouvimos o latido do cachorro, mas nem ligamos porque o cachorro já tinha latido outras vezes. Enfim, não sentimos nem o bafo dos ursos nos nossos pescoços . Eram dois filhotes já bem crescidinhos. Mas, o pior é que onde tem filhotes, certamente, tem uma mamãe ursa protetora.
Diante disso, resolvemos que era hora de ir dormir. Mesmo dentro do carro ficamos atentos, mas eles foram embora sem nos incomodar. Na manhã seguinte, tomamos nosso café sentados a beira do lago esperando ver os tais “ursos”, mas como eles não vieram nos dar “bom dia”, seguimos adiante. Brincadeirinha!!!
Estávamos próximos da fronteira com os Estados Unidos, mas queríamos aproveitar um pouco mais o Canadá. Fomos para North Bay, às margens do Lake Nipissing. Passamos o domingo sob um sol escaldante, nos refrescamos nas águas do lago.
Já conhecíamos a parte leste do Canadá e resolvemos revisitar alguns lugares. Ottawa, capital política e administrativa do país, tem uma vida cultural intensa. O Museu da Civilização e o Museu de Arte Moderna são um espetáculo que merecem uma visita mais demorada. A cidade é muito acolhedora. Como ficamos num camping mais distante do centro comercial, deixávamos o carro num estacionamento público e seguíamos de ônibus até o centro. Num desses dias, quando voltamos para o estacionamento, encontramos um bilhete do proprietário de um outro Land Rover. Ele pediu para fazermos contato. Fizemos o contato. Ele queria saber mais sobre o nosso carro e a viagem e fez uma entrevista para uma matéria de um jornal da cidade.
O acaso nos fez outra surpresa. Caminhando por Otawa encontramos um conhecido casal de brasileiros. Júnior e a Tanja, que saíram do Brasil antes de nós. Fomos à despedida deles em São Paulo. Nos conhecemos porque estávamos preparando a viagem e eles também. Nessa época, trocamos algumas ideias para essa longa jornada. A diferença era que eles viajaram com um enorme motorhome montado num caminhão Scania. Tinham o conforto de uma casa e alguns patrocínios. Enfim, encontrá-los viajando foi ótimo. Contamos nossas experiências, assim como eles, e combinamos ir juntos ao Algonquin Provincial Park no dia seguinte. Lá, improvisamos um churrasco e muitas caipirinhas para comemorar esse memorável encontro. Dali nos despedimos e fomos para Montreal.
Já conhecíamos Montreal também. Mas, dessa vez, a cidade estava uma verdadeira festa. Era verão e estava acontecendo o “Festival do Riso”. Todos os lugares estavam cheios de turistas canadenses e estrangeiros. Revisitamos lugares, conhecemos outros e nos divertimos com o festival durante os dias que estivemos na cidade.
Era hora de ir para Quebec. Como já conhecíamos a cidade, desta vez, resolvemos ficar do outro lado do rio Saint Laurent, em Lévis, de onde era possível ver o Parliament e parte da cidade velha da cidade. Era somente atravessar o rio, pelo Ferry Boat, e lá estávamos subindo a ladeira da Petit Camplain. Enfim, gostamos de ficar em Lévis, porque era muito agradável e com muitos lugares para caminhar. Mas, não deixamos de revisitar alguns lugares e aproveitar o que a cidade oferece.
Enquanto estávamos por ali, ouvimos uma lenda interessante. Dizem que, quando Deus fez o paraíso deixou cair um pedacinho na terra, que se espalhou formando as “Mil Ilhas”. Thousand Islands é um arquipélago com mais de 1.865 pequenas ilhotas na parte superior do Fleuve Saint-Laurent (ou, St. Lawrence River, para os americanos), na fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos. E, bem ali está Brockville, um lugarzinho tranquilo naquele paraíso, lindo e pra viver pra sempre, se não tivéssemos alma nômade.
Paramos na cidade só para um descanso, mas ficamos uma semana. Esse era um lugar para não ter pressa. Apenas apreciar a paisagem, caminhar, observar as pessoas indo e vindo de lancha ou veleiro pelo rio, curtir o pôr do sol, nadar ... E, num lugar tão especial só poderia ter pessoas especiais.
Ficamos num camping municipal, bem no centro da cidadezinha. As poucas pessoas que estavam acampadas eram muito simpáticas. Tivemos dicas legais da região, e encontramos uma senhora, já com seus quase 80 anos, que viajava com a sobrinha. Essa senhora falava oito idiomas, inclusive o português. Ao saber que éramos brasileiros, para a nossa surpresa, elas pediram para que fizéssemos “caipirinha” para elas. Tivemos que improvisar, claro Depois ficamos ali tomando shots de rum até altas horas da noite. Falamos e falamos e falamos... Um detalhe, o motivo das nossas duas novas amigas estarem ali era um campeonato de golfe que participariam no dia seguinte cedo.
Pela manhã, muito cedo, ouvimos elas saírem, mas ainda era preciso colocar o nosso sono em ordem e esperar a cabeça parar de girar. Depois, já curados da ressaca de rum fomos passear. Quando voltamos, já no final da tarde, as duas novas amigas estavam felizes, comemorando a vitória. Na verdade, a senhora ganhou o primeiro lugar e a sobrinha o segundo lugar. Elas já tinham providenciado os aperitivos e as cervejas. O resultado foi outra noitada, regada a muito álcool. No dia seguinte, elas foram embora e nós continuamos no camping.
Como o nosso estoque de comida tinha acabado, resolvemos ir ao supermercado para abastecer. Enquanto estávamos no estacionamento um casal, que saía do supermercado, veio falar conosco. Ele, por ser inglês, veio atraído pelo nosso Land Rover. Ela, muito expansiva nos convidou para ir comer um churrasco na casa deles. Agradecemos e perguntamos que horas seria, o que eles prontamente responderam: - “agora”. Ficamos sem saber o que dizer, porque nos pegou de surpresa e com as compras nas mãos. Então, dissemos que iríamos tomar um banho e que em seguida iríamos para a casa deles. Prontamente, disseram para tomarmos banho na casa deles. Agradecemos mais uma vez. Mas, eles não deixaram outra alternativa, seguimos para a casa deles. E, só para constar, não tomamos banho, mas tinha uma piscina bem convidativa que acabamos aproveitando. Comemos, bebemos, conhecemos os filhos do casal. Foi uma tarde muito gostosa. Continuamos mantendo contato por um bom tempo, até que as mensagens cessaram. Até hoje não sabemos se ainda vivem naquele paraíso.
Como já dito, aquele era um lugar para viver para sempre mesmo, mas já era hora de seguir viagem. E fomos para Toronto.
Assim como as outras cidades que já conhecíamos, revisitamos Toronto, passamos por lugares antes visto e conhecemos mais um pouco da cidade. E, de lá fomos para Niagara Falls.
Bem, a beleza de Niagara Falls é impressionante. Fomos presenteados com um dia de muito sol, o que nos permitiu apreciar as cataratas bem de perto. Ficamos o tempo suficiente para não deixar de fazer tudo o que todo turista faz num lugar como aquele. E, era hora de deixar o Canadá.
Como já tinha acontecido no Alaska, e em tantos outros lugares por onde passamos, deixar lugares tão fantásticos traz uma certa angústia, mas também alegria pela oportunidade de conhecer cada cantinho e pessoas interessantes. Algumas ainda temos contato e outras ficaram somente na memória.
Então, se era inevitável, cruzamos a Rainbow Bridge, já nos Estados Unidos. Nosso próximo destino foi o estado de Ohio. Esse será um capítulo a parte, pois foi uma estadia mais longa e para nunca mais esquecer.
Um longo e merecido descanso em Bowling Green-Ohio…
Era 25 de julho, quarta feira, um dia de muito calor. Passamos por um grande campo de girassóis, nossa flor da sorte, o que bastou para ter a certeza de que Bowling Green nos traria muitas alegrias. Seguimos para o único camping da região. Era uma cidade de aproximadamente 30 mil habitantes, dos quais 20 mil são estudantes da universidade que leva o mesmo nome da cidade - Bowling Green State University. Portanto, uma população bem jovem e que abriga estudantes de várias nacionalidades, resultando numa verdadeira “Torre de Babel”.
Já conhecíamos a cidade e tínhamos amigos por lá. Ficamos ainda mais uns dias no camping até que o Frank, nosso amigo, conseguiu um apartamento para alugarmos. Apesar de estranharmos, depois de muito tempo morando no carro ficar entre quatro paredes com ar-condicionado foi uma verdadeira dádiva para o calor intenso da época.
De imediato começamos a nos sentir parte da cidade. Era período de férias e apenas poucos alunos, que optavam por classes especiais de verão, estavam ali. Mesmo assim, não deixava de ser uma festa. Como o calor era intenso, os estudantes tomavam sol ou se refrescavam nas piscinas improvisadas em frente de suas casas compartilhadas. A atmosfera era bem descontraída. Tinham os festivais ao ar livre com muita música, feiras de artesanatos, comidas e cerveja à vontade, desde que consumido dentro do espaço delimitado para beber.
Através do Frank e Lynn, o casal de amigos, conhecemos outras pessoas e começamos a frequentar os bares mais divertidos de Bowling Green. O Howard’s Club era o nosso preferido. Música boa, “line dancing” e pessoas que fomos conhecendo. O BW3 era outro bar divertido, onde os alunos frequentavam.
As aulas recomeçaram, a cidade voltou ao seu ritmo normal, com muitos estudantes. Muito resumidamente, essa era uma oportunidade de dar continuidade a uma pesquisa de Doutorado, dentro da área das Ciências Sociais, iniciada no Brasil pela Vera. O meio-oeste americano e a universidade seriam o caminho. Com isso, nós também fomos parar na universidade.
Como estrangeiros, era preciso frequentar aulas de inglês, para aprimorar a fluência. Com isso, tivemos muitos contatos com os alunos internacionais. E era bem divertido reunir numa mesa russos, jordanianos, porto-riquenhos, japoneses, chineses, africanos, indianos e nós, cada um com seu sotaque. Um dia, um amigo americano veio até nossa mesa e perguntou em que língua estávamos falando. Quando dissemos que era inglês, ele caiu na gargalhada. Voltamos no tempo e à nossa juventude.
Encontramos também brasileiros, antigos estudantes que decidiram ficar morando, definitivamente na cidade. Outros, continuavam estudando. Nunca estávamos sozinhos. Era divertido trocar experiências e brincar com as diferenças. Era ótimo poder ir a um bar local e ouvir Blues. Fizemos muita festa na casa da Márcia e do Craig, Kathy e José Luiz, Andrea e Leo, Frank e Lynn, Henrique e Cris. Foi divertido, bom e será sempre inesquecível para nós.
Apesar de toda a festa, a pesquisa proposta (por Vera) já estava em andamento, as aulas no programa de Sociologia também já tinham começado e era preciso muita dedicação. Foi um começo difícil para quem, até então, vivia em total liberdade. Passamos a ter compromissos, mas era uma oportunidade imperdível. Nessa altura dos acontecimentos nem sabíamos quando voltaríamos para o Brasil. Nos adaptamos e gostamos dessa situação.
Muitas foram as histórias nesse período. Uma delas foi quando, num dia qualquer, fomos convidados a ir a um evento numa cidadezinha vizinha, Tontogany. Seria premiado quem tivesse a carteira de motorista do lugar mais distante. O Frank ligou animado e lá fomos nós ganhar o nosso prêmio, um vinho de pêssego.
O outono em Bowling Green é lindo. O verde, vermelho, laranja e amarelo das folhas das árvores tomam conta da paisagem da região. Viajar era um jeito de curtir essa maravilha. Toledo ficava mais ou menos meia hora, ao lado do Lake Erie. Put-in-Bay e Kelleys Island, que são duas ilhas, eram muito legais para visitar. Cedar Point, um parque de diversões, que na época diziam ter a montanha russa mais alta do mundo, era bem divertido. Transitávamos entre Ohio, Indiana e Illinois para conhecer os lugares.
O inverno, por outro lado, foi bem rigoroso. As temperaturas eram negativas, muita neve e um vento gelado. Como é uma região muito plana, a sensação de frio é maior quando bate o vento cortante.
Esses momentos tão especiais só foram interrompidos pelo 11 de Setembro. Quando ouvimos a notícia dos ataques terroristas em New York e Washington estávamos na universidade. A sensação foi horrível, como se estivéssemos vivendo um terrível pesadelo. Não era possível mensurar tudo que estava acontecendo e tivemos medo de ter que interromper tudo por causa de toda a situação. O momento era tenso e não sabíamos o que seria dali para frente. A família e os amigos do Brasil preocupados conosco sugeriram nossa volta para o Brasil, mas mesmo diante de toda aquela confusão sentimos que era possível ficar em segurança. As coisas foram tomando um rumo complicado no país e a tensão foi aumentando com o início da invasão dos Estados Unidos ao Iraque. Como se não bastasse toda a situação, começaram os ataques com antraz e ameaças de novos ataques terroristas.
Nossa permissão de estadia no país teria que ser renovada e nosso passaporte estava prestes a expirar. Veio a dúvida com relação ao que fazer, porque ir a Washington renovar o passaporte não nos parecia uma boa ideia naquele momento. Resolvemos arriscar o envio dos passaportes pelos correios, meio a toda aquela onda de antraz que assolava o país. Até os correios de Bowling Green foi interditado por um dia. Como se não bastasse teríamos também que mandar nossa documentação para a Imigração. Não tinha outra alternativa, a não ser acreditar que tudo daria certo. E felizmente tudo deu certo.
É engraçado pensar que em toda a viagem passamos por diversos tipos de tensões, mas jamais imaginamos passar por um tipo de tensão como esse nos Estados Unidos. Apesar de tudo, estar em Bowling Green passou a representar muito para nós. Era um momento de descanso, muitos amigos e um momento produtivo, intelectualmente. Aderimos à vida na universidade, conhecendo a estrutura e facilidades oferecida aos alunos, bem diferente das nossas universidades brasileiras. Aproveitamos cada instante. Chegamos a ser “famosos” na cidade. Afinal, não era difícil ser reconhecido com o nosso carro, rodando para lá e para cá numa cidade tão pequena. Principalmente, depois das entrevistas que concedemos ao Sentinel, jornal local, e no BG News, que era o jornal da universidade.
Foi muito divertido e interessante ver os jogos de basquete, hokey e futebol americano da universidade. Também foi gostoso compartilhar o Thanksgiving na casa da Linda e do David junto aos seus filhos Alma-Lynn, Phillip e Erik. E foi muito bom, também ter participado da vida de tantas outras pessoas que conhecemos na universidade: a Yolanda, o Jeff, a Lori, a Jessie, a Beth, o Tom, o Cris, a Kristy.
Descobrimos como é viver numa pequena cidade do meio-oeste americano, que, afinal, é campeã de Tractor Pulling, o esporte mais estranho que já vimos na vida. São tratores e pick ups modificados puxando um grande peso.
Bowling Green é uma cidade cercada por plantações de milho, com centenas de estradinhas cortando esses campos, sujeita a Tornados. A cada primeiro sábado do mês as sirenes da cidade eram testadas, para o caso de Tornado. Tinha uma geografia totalmente plana que nos fazia sentir saudades das montanhas de Minas Gerais.
Perto de Bowling Green encontramos comunidades de Amish ou Menonites e seus belos trabalhos em madeira. Eles vivem em fazendas e não utilizam das facilidades da vida moderna. As casas não têm luz, andam de carroças e trabalham a terra com arado puxado por animais. Jamais esqueceremos nossas conversas no café Grounds for Thoughts, no BW3, no Zig Zang, Howard’s Club, Samb’s, Up town e Downtown.
Durante os seis meses que estivemos em Bowling Green aprendemos o quanto é bom poder voltar para casa as três da manhã, caminhando pelas ruas desertas sem ter medo. É bom falar com as pessoas sem se importar quem elas são. É gostoso sentar num café e por lá ficar batendo papo por um longo tempo, vendo gente entrando e saindo. É bom sentir e viver uma vida longe do estresse e poder dormir num silêncio profundo, interrompido às vezes, somente pelo barulho dos grilos, sem ter o que não é necessário e ter o que é necessário para a vida: amigos e felicidade.
Em fevereiro de 2002, decidimos que deveríamos continuar nossa viagem. O projeto de doutorado teria que ser interrompido, até que as coisas se acalmassem, já que o assunto pesquisado era religião e envolvia os muçulmanos. A comunidade islâmica local assustada se fechou e eu não conseguia mais ter acesso. A Mesquita foi alvo de tiros e achamos por bem dar um tempo até que tudo se acalmasse. Então, fizemos muitas despedidas e partimos...
Depois disso, retornamos algumas vezes para rever os amigos e temos certeza de que ainda retornaremos outras vezes. Bowling Green foi um lugar que marcou nossa vida. Ali voltamos a ser jovens, felizes e livres. Fizemos amigos que ainda hoje permanecem. Por isso, aproveitamos para agradecer a todos que nos acolheram: Frank e Lynn, a Márcia e o Craig, José Luiz e Kathy, Andrea, Isabel, Mônica (in memoriam), Patrícia e Tootsie, o Terry, Andréa e Leo, Izadora, Pedro, Carol, Duda, Henrique e Cristiane, Emílio, Eileen e William, Lee, os Brunos, as Fernandas, Ailene, Ana Elise, Valerie, Marcelo, Rafael, Rosa (in memoriam), Margarida, Carlos Batista, Paulo e Silvia, Cristina, os russos, os japoneses, os chineses, os jordanianos, os indianos, fora os que já citamos por aqui ... ufa! Foram tantos! Temos receio de ter esquecido alguns nomes, mas tenham certeza de que todos estarão sempre presentes em nossa memória e nos nossos corações.
Na estrada novamente…
As duas semanas que antecederam a nossa partida de Bowling Green foram cheias. Desmontamos nosso pequeno apartamento e voltamos com tudo para o carro. No período que lá estivemos os amigos emprestaram e deram algumas coisas, fora o que compramos em garage sale, que era uma das nossas diversões. Era bom garimpar preciosidades, mas que depois, com muito pesar, tivemos que desfazer.
Esse também foi um período de muitas emoções. Era hora das despedidas e de uma nova mudança de vida. Criamos raízes, amizades e só fomos embora por causa das circunstâncias. O país ainda estava se recuperando do 11 de setembro. Jovens que conhecemos na universidade partiram para a guerra no Iraque e a pesquisa ficou inviabilizada naquele momento.
Deixamos a cidade num dia muito frio. Passamos no Grounds for Though, o café charmoso da cidade e lugar de encontro com amigos. Nos despedimos da Kathy e do José Luiz, que lá estavam, da Mme Rose, nossa landlord, que passou ali por acaso. Dirigimos um pouco pela cidade, despedindo, e partimos por uma rodovia vicinal, que também seguia para Grand Rapids e Waterville, dois lugares muito encantadores da região. Aliás, em Waterville o Garden Smile é imperdível. As esculturas, super criativas feitas pelo escultor Georg Carruth e sua equipe de artesãos são atrações a parte. O difícil foi escolher qual levar. As esculturas são feitas em cimento, com uma riqueza de detalhes que deixa tudo muito mágico. Temos cinco delas e a cada dia Caruth cria esculturas diferentes. Enfim, seguimos por essa vicinal, mais de 500 quilômetros, saindo de Ohio, passando por Indiana rumo a Chicago.
Na chegada a Chicago, no início da noite, o trânsito estava intenso. Vimos uma pessoa acenando e pedindo para encostarmos o carro. Paramos para saber o que era. Era um brasileiro que vivia em Chicago. Ao ver o carro do Brasil queria saber um pouco mais sobre nós. Conversamos ali mesmo. Ele ofereceu “pouso” na casa dele. Achamos engraçado, mas era sério a oferta.
Como tinha um shopping bem perto, e estávamos famintos, combinamos de nos encontrar lá depois de mais ou menos duas horas, tempo que ele demoraria num curso que estava fazendo por perto. No horário combinado ele chegou. Queríamos saber melhor sobre ele e onde morava. Ele disse que morava num apartamento com o pai e que fazia questão de nos hospedar. Comentamos que ficaríamos uns três dias e ele fez muita questão que ficássemos lá. Perguntamos se o pai estava sabendo do convite e ele respondeu que sim, e que o pai reiterou o convite. Então, depois de todo o nosso questionamento, acompanhamos o carro dele.
Chegando em frente ao prédio, estacionamos o carro. Pegamos algumas coisas e subimos. Quando entramos no apartamento... surpresa!!! O rapaz chamou todos os amigos brasileiros para nos conhecer. E depois virou uma festa. Como o seu pai era pastor de uma igreja evangélica, o álcool era proibido. Mas, depois que o pastor foi dormir, o rapaz tirou do armário, bem escondidinho, uma garrafa de vodca.
A história foi além disso. Ficamos intrigados porque tínhamos certeza de que já tínhamos visto o pai, mas não lembrávamos de onde. Na manhã seguinte, tivemos a companhia dele para um passeio por Chicago. Entre uma conversa e outra, lembramos que o tal pastor era um político que ficou em evidência na mídia por conta de corrupção. Foi uma saia justa. Diante disso, com muita educação, agradecemos a generosa hospedagem, inventamos uma desculpa e fomos embora.
Não vamos revelar os nomes dessa história, mas podemos dizer que, se houve roubo de dinheiro público o dinheiro não rendeu muito. Presenciamos a dificuldade financeira que passavam. Como diz o ditado: “a única coisa fácil sobre dinheiro é perdê-lo”. Ou, como na música de Paulinho da Viola, “dinheiro na mão é vendaval...”, principalmente, quando o dinheiro vem de fontes escusas.
Depois de Chicago, fomos até Omaha, em Nebraska. No meio do caminho vimos um carro do Alaska. Bateu saudades!
Omaha é onde fica a matriz da empresa que o Helinho trabalhava, antes de embarcarmos nessa viagem. Chegando na empresa fomos recebidos pela Carolina e o Tim, o Rebello, um brasileiro que trabalhava por lá, o Atanu Gosh, um indiano que trabalhou no Brasil por algum tempo, e o Lyle Knox “The Boss”.
Infelizmente, não encontramos todos no happy hour da sexta feira (Friday at four), uma tradição na empresa. Mas, mais uma vez, fomos o centro das atenções. Estavam todos interessados e impressionados com as nossas histórias e com o nosso retorno de carro para o Brasil. E, o mais incrível foi que quando chegamos ao Brasil encontramos, novamente, o Lyle Knox em São Paulo. A reação de surpresa dele foi impagável .
Ficamos alguns dias rodando pela região. Visitamos o Atanu e o casal Carolina e Tim. Saímos para os restaurantes com eles e, depois rumamos para o sul, sempre por estradas vicinais, mais ou menos movimentadas. Passamos por Kansas City e seguimos para St. Louis, onde fomos pegos de surpresa, na terra do blues, com uma programação na emissora local com músicas brasileiras da melhor qualidade - bossa nova, chorinho...
Era dia de jogo de futebol (americano, claro!). O Green Bay Packers era o time visitante. Já tínhamos familiaridade com esse time porque a família “Goza”, nossos amigos de Bowling Green, eram torcedores apaixonados dos Packers. Eles eram de Wisconsin, a casa do time. Nos lembramos dos amigos já com saudades, apesar do pouco tempo que tínhamos saído de Bowling Green.
St. Louis, que fica na confluência do rio Mississipi e do rio Missouri, é uma cidade muito grande, mas bem simpática. O Gateway Arch, um arco enorme, perto dos 200 metros de altura, feito em chapas de metal, domina a cidade. O Laclede’s Landing, com seus bares e restaurantes, blues ao vivo e muita gente pra lá e pra cá, é ótimo. Fora isso, ainda tem a jogatina nos barcos-cassinos, a Union Station, uma antiga estação de trem transformada num shopping, o passeio pelo Forest Park, museus, zoológicos e vistas do Bush Stadium e do St. Louis City Hall. E para quem gosta de muita emoção, o Lemp, o bairro mau assombrado, pode ser uma atração interessante. Ali, todo o passeio é guiado por “investigadores paranormais”. O The Lemp Brewery Bottle Works pode ser uma experiência horripilante, mas não ganhou nossa adesão, preferimos seguir para Nashville.
Nashville é uma cidade bem peculiar. É cheia de saloons e bares “honky-tonky” com música ao vivo. A Second Avenue, que foi o centro de negócios de algodão, hoje transformou-se em um centro comercial com enormes armazéns de lojas e restaurantes. Ali está o Wildhorse, um dos saloons com shows de música country. O Printer’s Alley, que é um beco com casas noturnas que remontam os anos 40, é também imperdível. Visitar o Fort Nashborough e o Ryman Auditorium são também lugares obrigatórios para quem está na cidade. Tem também o Grand Ole Opry House, famoso palco do programa de rádio com o mesmo nome, o Music Hall of Fame and Music, o Johnny Cash Museum.
O Pedal Tavern é uma atração bem divertida. Turma de amigos (ou não), pedalam num bar móvel e faz a alegria de quem está participando e de quem assiste o passeio pela cidade. Fora o turismo gastronômico, etílico e musical, o State Capitol, uma enorme construção de 1845 em estilo grego é bem interessante. Enfim, Nashville é uma cidade que não dá vontade de ir embora. Por isso, estivemos algum tempo antes de seguirmos para Memphis, pela rodovia da música.
Memphis oferece atrações de jazz, soul, blues e rock’n’roll, claro. Elvis Presley, B.B. King e Johnny Cash gravaram no lendário Sun Studio. A Beale Street é conhecida pelos bares e a música. Quando chegamos, vimos o anúncio de um show do B.B. King. Ficamos tentados a ficar na cidade para ver o show, mas depois desistimos o que arrependemos muito até hoje. Em três quarteirões encontramos várias atrações, incluindo Wall of Fame e Schwabís Dry.
Ainda tem o Good Store, que é uma loja enorme de quinquilharias construída em 1876, o Museu da Polícia, que mostra a ordem de extradição do assassino de Martin Luther King Jr morto em Memphis em 1968. E, claro, não poderíamos deixar de conhecer Graceland,onde está a mansão, os aviões e a coleção de carros de Elvis Presley.
Saímos de Memphis debaixo de uma chuva torrencial. O que mais nos preocupava era um aviso de tornado, feito pelo rádio a cada intervalo de música. Fomos acompanhando a movimentação do Tornado, que traiçoeiramente muda de direção de uma hora para a outra. Tínhamos a sensação de que nos perseguia. No meio de toda esta turbulência e medo, afinal tornado não é nossa especialidade, perdemos a nossa terceira bandeira do Brasil. Ficou para sempre no Mississipi, ou quem sabe, o tornado a levou para outro lugar bem longe. Depois de algum tempo, o pesadelo do Tornado passou, quando entramos no estado de Louisiana e o céu voltou a ficar azul.
Chegamos a New Orleans sãos e salvos. Por uma distração nossa, chegamos bem no centro da cidade em pleno horário de pico. Mas, o trânsito caótico foi bem oportuno para começar a entender o local. No dia seguinte, em plena sexta feira, fomos para o French Quarter para conhecer essa antiga, bonita e histórica parte da cidade, que foi fundada por franceses e depois ocupada por espanhóis.
New Orleans tem na sua história o passado escravo e algumas semelhanças com o Brasil, como o sincretismo religioso ou Voodoo. Aliás, as casas de Voodoo tem um verdadeiro arsenal de magia, inclusive alguns artigos “made in Brazil”. Reconhecemos um pouco da nossa cultura em New Orleans também no estilo dos cemitérios cristãos, com mausoléus enormes, o que para eles é uma rota turística.
O French Quarter, com a sua arquitetura francesa e espanhola e ruas estreitas, lembra o casario de algumas cidades históricas brasileiras. As varandas das casas com os detalhes em ferro já estavam enfeitadas para o carnaval. O Mardi Gras, remete aos antigos carnavais brasileiros. São realizados desfiles em carros alegóricos nos finais de semana. Máscaras, colares coloridos e bonecos davam o ar da festa. A cidade estava cheia de turistas e a Bourbon Street, a rua mais badalada desse quarteirão francês, estava caótica. As pessoas andando e bebendo, grupos de jazz e blues tocando, sapateadores e estátuas humanas. Os bares com música ao vivo cheios. Enfim, um caos divertido.
Mas, New Orleans não é somente essa confusão. Tem uma parte com prédios modernos e cassinos. Numa outra parte da cidade, no Garden District, ficam as antigas mansões que foram reformadas. O Riverfront, às margens do rio Mississipi, é também um bom lugar para caminhar, enquanto curtimos o rio. E, também, existem outras opções de divertimento, como os crocodilos dos Swamps, ou ir para uma praia do lado leste da cidade. Assim, fizemos de tudo um pouco, nos divertimos, experimentamos a culinária cajun e depois fomos para Houston, a quarta maior cidade americana, no Texas.
Houston é uma cidade típica americana, moderna, repleta de autopistas e viadutos o que faz o tráfego fluir rapidamente. Conhecemos o centro da cidade de forma tranquila, vimos os prédios modernos e enormes, os museus, o zoológico e o aquário da cidade. Algumas atrações turísticas, como o Johnson Space Center (NASA), Six Flags Astroworld e Water World, ficavam a alguns quilômetros da cidade. Conhecemos Galveston, que é uma pequena cidade no Golfo do México e fomos para Austin encontrar um casal de amigos, a alemã Siegi e seu marido Roland (in memoriam), que conhecemos em Mount St. Helena.
A recepção não poderia ser melhor, inclusive com faixa de boas-vindas, o que nos deixou bem emocionados. Relembramos nosso encontro, contamos cada momento importante da viagem e experiências vividas. Conhecemos Austin. O casal era muito divertido. Eles viveram em vários lugares nos Estados Unidos, inclusive no Hawaii, antes de se estabelecerem em Austin.
Austin é uma boa cidade para viver. Possui uma área montanhosa, com casas com a vista do vale, ou do rio Colorado que corta a cidade. Visitamos o Parque da cidade, o State Capitol, um suntuoso complexo de mármore rosado, sede do governo do Texas. Seguimos por toda a Congress Avenue, que cruza a cidade. E, passamos pela ponte que abriga uma enorme quantidade de morcegos (em torno de 1,5 milhões), atração ao entardecer quando voam em busca de alimentos. O que é apavorante para algumas pessoas é necessário para a cidade. São eles que devoram toneladas de insetos, mantendo o equilíbrio ecológico. São, também, importantes para a agricultura, porque ajudam na polinização das plantas. O governo do Texas mantem estudos e pesquisas sobre os morcegos. Além disso, se preocupam com o habitat desses mamíferos. A 6th Street é a mais badalada rua da cidade, com bares, restaurantes, lojas, música e muita gente. Enfim, visitamos todos os principais pontos da cidade. Foi muito bom estar entre amigos, antes de deixar os Estados Unidos. Hoje, infelizmente, o Roland não está mais entre nós, mas a Siegi e seu filho Chris, continuam presentes em nossas vidas, mesmo que a distância.
Era hora de deixar os Estados Unidos. Saímos sem pressa de Austin, em direção a Laredo, cidade de fronteira e agitada, com muitos restaurantes, shoppings, hotéis e com um jeito bem mexicano. No dia seguinte, bem cedo, fomos para a fronteira. Alegria, tristeza, tudo junto e misturado. Mas, sempre com a certeza de que ainda tinham muitos lugares para conhecermos. Respiramos fundo e seguimos mais uma vez para o México. Viva o México! De novo...
De volta ao México...
Era uma quinta feira e dessa vez, foi menos complicado cruzar a fronteira do México. Fizemos todas as burocracias, pagamos altas taxas, mas, felizmente, não foi preciso desmontar o carro.
Nesse dia rodamos uns 800 quilômetros até San Luis Potossi. Isso porque, era previsto dormir em Matehuala, mas chegamos muito cedo na cidade e decidimos seguir adiante. Essa parte do México não tinha muitos atrativos.
No dia seguinte, fomos para Tepotzotlan, cidadezinha que fica 30 quilômetros da Cidade do México, bem perto do sítio arqueológico Teotihuacan. Como já conhecíamos a região tudo ficou mais fácil. Voltamos à Cidade do México, dessa vez de ônibus e metrô. O destino do nosso ônibus foi Toreo. De lá, pegamos um metrô lotado para o Zócalo. Quando saímos da estação nos deparamos com uma multidão. Tinham vários grupos de dança indígena. Um grande palco foi montado e os grupos tocavam músicas tradicionais. Tinham muitos vendedores ambulantes e uma feira de quinquilharias. Ficamos por ali, assistindo toda aquela apresentação. A volta foi uma aventura. Os motoristas dirigem feito loucos. Eles passam em alta velocidade e espremidos entre ônibus e caminhões. Felizmente, chegamos sãos e salvos.
Como nós já conhecíamos Puebla resolvemos somente passar a noite e seguimos para Oaxaca, outro destino já conhecido. No camping encontramos um jovem casal de ciclistas holandeses, que tinha como destino Ushuaia. Depois, voltariam até Buenos Aires e pegariam um voo para Lisboa. De Lisboa seguiriam, ainda de bike, para Holanda. Infelizmente, perdemos o contato com eles e não sabemos se conseguiram concretizar todo esse roteiro.
De Oaxaca, seguimos para San Cristóbal de Las Casas, no Chiapas. Mas, como o caminho era muito longo, decidimos parar em San Pedro Tapanatepec.
O calor era intenso às 9 da manhã, quando saímos. Era uma estrada nas montanhas, com muitas curvas. O visual era lindo. O GPS não funcionava direito. Finalmente, chegamos em algum lugar mais baixo e percebemos que estávamos num “Istmo”. O sol castigava cada vez mais e o calor estava ainda pior. Enfim, passamos por La Ventosa, um lugar para não esquecer. Todas as árvores tombavam para um só lado. Isso, era por causa do vento e da sua geografia.
Depois de um merecido descanso subimos as montanhas de Sierra Madre del Sur, que nos levaria até San Cristóbal de Las Casas. Passamos por Tuxtla Gutierrez, uma cidade muito limpa, com prédios bem cuidados e as ruas arborizadas. De lá, fomos por um caminho tortuoso até San Cristóbal de Las Casas. A temperatura começou a cair e a neblina estava baixa. O clima era bem mais ameno.
San Cristóbal de Las Casas é lugar ideal para ser explorado a pé. Fomos até a Catedral, ao mercado e visitamos as inúmeras igrejas da cidade. Subimos os degraus da igreja de Guadalupe e do alto vimos a cidade como um todo. San Cristóbal fica rodeada de montanhas. A cidade comporta muitos restaurantes e bares. Além disso, tem um certo “mistério” em sua história. Foi nesse local onde a revolta zapatista começou tomar corpo.
O Chiapas é um estado indígena. Os índios vendem seus artesanatos nas ruas, nos mercados e nas estradas. Mas, o ponto alto da visita ficou por conta de San Juan de Chamula e Zinacantan.
Para quem quer entender um pouco dessa cultura indígena é preciso visitar esses dois locais. Apesar da inevitável “modernização”, os índios tentam preservar sua cultura. Ali convivem os Tzeltal e Tzotzil. Em Chamula, entramos numa igreja, que não tinha os bancos, mas tinha os santos e muitos galhos de pinheiros e velas acesas esparramados pelo chão. Os índios se sentam em meio a essas folhas e, em sua língua original, rezam, ou melhor, conversam em voz alta. Eles bebem o posh, que é uma bebida espiritual, destilada e que acreditam ser um meio de comunicação com os deuses, ou com Deus.
Nesse dia, Chamula estava em festa. Era o começo do carnaval. Grupos diversos, vestidos com suas roupas características andavam pela cidade soltando rojões. É proibido fotografar dentro e fora da igreja. Os oficiais da ordem pública, que são homens identificados pelas roupas e pelo cacetete que carregam, se encarregam de manter a ordem e impedir qualquer infração dos turistas.
Depois de uns dias conhecendo San Cristobal de Las Casas e região, fomos para as ruínas de Palenque. São apenas 200 km de estrada, que percorremos em 6 horas de viagem. A estrada é sinuosa e existem muitos assentamentos indígenas. O visual dos vales e as cascatas de águas azuis são lindas, mas a estrada exige muita atenção, tanto pelas curvas quanto pelas pessoas e animais circulando nas pistas. Sem contar os famigerados "topes", ou quebra molas, ou lombadas... No meio do caminho ainda levamos um susto. Um grupo de indígenas fantasiados para o carnaval fechava a estrada. Tudo estava tranquilo e eles somente se divertiam, até que um deles tentou abrir a porta do carro. Ficamos um pouco assustados e não tivemos dúvidas em acelerar o carro e seguir em frente.
Chegamos a Palenque no final da tarde com uma intensa chuva. Na entrada da cidade fomos revistados pelo exército. O curioso é que quando entramos, pela primeira vez no México indo em direção aos Estados Unidos, passamos por muitas revistas rigorosas. Na volta, as revistas foram muito menos frequentes e menos rigorosas. Não entendemos o porquê, mas gostamos de não ser tão importunados como em direção norte.
Depois da revista, entrarmos nas ruínas de Palenque. Era como entrar num filme de “Indiana Jones” de George Lucas e Steven Spielberg. As ruínas ficam no meio de uma floresta tropical. Por sorte, encontramos um arqueólogo da Universidade da Califórnia, o Donald, que pesquisava a cultura Maya nas florestas do México e da Guatemala por mais de 35 anos. Ficamos conversando por um longo tempo e ele nos deu uma verdadeira aula sobre o assunto, inclusive sobre a última pirâmide descoberta, e que ele estava trabalhando. Essa pirâmide ainda estava fechada ao público. Através de uma microcâmera digital eles conseguiram ver as ricas peças pintadas e esculpidas. Por causa dos gases tóxicos, que exalavam dos ambientes internos, o acesso somente podia ser feito pelos arqueólogos usando máscaras e tubos de oxigênio.
Vimos o famoso império Pacal com o Palácio, o Templo das Inscrições e todas as construções que, provavelmente, tiveram seu início no ano 100 a.c. e que se mantêm bem preservadas. Este foi, de longe, o sítio arqueológico mais impressionante que vimos.
Campeche era o nosso próximo destino. Depois de uma viagem tranquila, apesar dos muitos "topes"na estrada, avistamos o mar. Foi uma bela visão, que esperávamos há muito tempo. Ainda era carnaval e Campeche teria um desfile com carros alegóricos. Depois do desfile teria uma festa na concha acústica da cidade ao ritmo de muita salsa. Ficamos animados. Quando chegamos ao camping ouvimos alguém nos chamando. Não acreditamos, mas ali estavam o Mike e a Liz, os nossos amigos ingleses. Esse mundo de viajantes é muito pequeno! Além desse encontro inesperado, também encontramos um casal de suíços que conhecia o Amadeus e Monika, aqueles dois alemães com a filhinha que encontramos em Fairbanks, no Alaska.
Ficamos muito felizes. Soubemos que o Mike e a Liz tinham voltado para a Inglaterra, nesse período de um ano que estivemos viajando. A Liz fez uma cirurgia de quadril e, depois de recuperada, voltaram para o México para continuarem viagem até Ushuaia. Com eles estava um casal da Bélgica e outro casal da Nova Zelândia. Viajamos juntos por 3 três dias, em direção a Uxmal e Mérida, em Yucatán.
Uxmal é uma ruína muito bem conservada, e que nos permite ver em detalhes o trabalho arquitetônico e artístico Maya. Ficamos no estacionamento do sítio arqueológico para ver o espetáculo das "luzes e sons" que acontece no “Quadrangulo das Monjas”, à noite. Esse é um espetáculo teatral que recorda a época de glória dos Mayas. Por coincidência, ou não, uma chuva inesperada caiu, exatamente, quando era evocado o "deus da chuva", se tornando o ponto alto da performance . Depois disso, curtimos um bom bate papo entre amigos.
No dia seguinte, saímos em direção a Mérida. Entretanto, nós decidimos seguir direto para Chichen Itzá. Isso porque, Mérida era uma cidade grande e sem interesse para nós. Então, nos despedimos dos nossos amigos e seguimos para as ruínas.
Chichen Itzá é uma suntuosidade. É uma área plana com enormes pirâmides, herança da cultura Toltece Maya. A pirâmide principal, o Castilho, é impressionante. Subir os seus íngremes degraus pode ser cansativo, mas a visão do alto compensa qualquer sacrifício. Na parte interna, a sala de adoração com a escultura do Chac-Mol, o mensageiro dos deuses, e o jaguar com olhos de jade pintado de vermelho, é fantástica. Para ver essa sala foi preciso subir uma escadaria interna, num corredor muito estreito, quente e úmido. Algumas pessoas desistem de entrar no local.
O complexo das “Mil Colunas” é um outro espetáculo a parte. É preciso tempo e disposição para explorar o lugar. Enquanto estávamos apreciando o sítio arqueológico fomos surpreendidos por uma chuva muito forte o que nos fez desistir de ficar mais tempo, para ver o “show de luzes e sons” daquelas ruínas. Optamos então por ficar em Piste, que era a cidade mais próxima do local.
O nosso próximo destino foi Cancun. Fomos sem pressa pela estrada vicinal, já que a distância não era tão longa. Passamos por muitos povoados indígenas e, chegando na cidade fomos conhecer a “Zona Hoteleira”. As praias ali, apesar de públicas, ficam quase que restritas aos hóspedes dos hotéis. Então, nós resolvemos ficar num camping em Punta Sam, não muito longe dali. Conhecemos a cidade que muitos turistas não conhecem, pelo comodismo e conforto que os hotéis oferecem. Na maioria das vezes, ficam apenas entre as suas praias particulares e o ar-condicionado dos hotéis.
A 45 minutos de barco de Cancun está Isla Mujeres, que faz lembrar algumas das praias do nordeste. As areias são branquíssimas com coqueiros e um clima muito descontraído. A água do mar é impressionantemente verde e clara, contrastando com todo o cenário. A cidade tem uma boa infraestrutura com vários bares, restaurantes e opções de hotéis e pousadas. Um verdadeiro paraíso de férias.
A próxima parada foi a Playa del Carmen. Apesar de ser uma cidade pequena é bem legal. Uma parte da cidade mantem o mesmo clima das nossas cidades pequenas de praia. A outra parte da cidade tem hotéis luxuosos, uma área exclusiva das grandes redes hoteleiras. Ficamos num camping, o Paa Mul, que é um lugar privilegiado, com a sua própria praia e uma boa infraestrutura. As praias são de areias muito brancas e o mar de um verde lindo, característica do Caribe. A 45 minutos de barco está Cozumel, que também fomos conhecer.
Depois fomos conhecer as ruínas de Tulum, à beira-mar. Os visitantes sempre vão preparados para um mergulho. Também conhecemos Bacalar e o “Cenote Azul”, o lago das sete cores. Este é um grande lago, com diferentes tonalidades, que vai do azul turquesa ao quase preto. E, essa foi a nossa penúltima parada no México. Dali só faltava Chetumal e depois cruzar a fronteira para Belize.
Era hora de deixar o México. Como sempre, ficamos com aquele sentimento de pesar por deixar este grande e impressionante país, com a sua cultura, a sua gente e as suas paisagens que tanto nos encantaram.