
Caminho Inglês:
La Coruña a Santiago de Compostela
Um grande susto antes do caminho....
Desta vez a nossa história começa 4 meses antes de partirmos para fazer um trecho da Via Francigena Central. Esta via começa na Inglaterra (Canterbury) e segue até Roma. Para os que estiverem bem animados podem seguir para o sul da Itália e continuar até Jerusalém. O nosso trajeto seria do Gran San Bernardo, na fronteira da Suíça-Itália até Roma.
Preparamos durante o ano todo para caminhar em abril de 2018, mas no final de novembro de 2017 a Vera teve uma “extrusão de hérnia de disco”. A dor era insuportável. A neurocirurgiã disse que tinha que esperar dois meses para ver se o pedacinho que se rompeu seria reabsorvido pelo corpo. Se não, o caso seria cirúrgico. Foram dois meses de agonia e pesadelo para nós, com a Vera sentindo muitas dores, sem conseguir dormir e sem saber o que viria pela frente. E mais, as passagens estavam compradas e tudo planejado para nossa caminhada.
Depois desses dois meses, outra Ressonância Magnética foi feita e o resultado foi espetacular. O pedacinho tinha sido reabsorvido pelo organismo e o médico liberou para a fisioterapia. Ela iria voltar a se exercitar, com ou sem dor. Isso era o máximo, mas o ortopedista, que não estava nem um pouco otimista disse que ela não seria capaz de caminhar naquele ano. Foi o motivo para que ela mudasse de médico. Ela estava disposta a se esforçar e tinha certeza de que caminharia. Foi aí que o Igor Weber, um fisioterapeuta, entrou em cena. A fisioterapia era todos os dias. Foram extenuantes 40 dias, até que a Vera pode retornar para a academia no começo de março. Mesmo assim, a dúvida era se ela conseguiria carregar a mochila.
Discutimos muito sobre o peso da mochila, passamos a caminhar com dois bastões, foram muitos exercícios de reforço lombar... E aí, veio a decisão. Antes de seguir para a Via Francigena Central, faríamos o Caminho Inglês na Espanha, que era curto, para ver como seria.
Tudo pronto. Começamos a caminhar no dia 15 de abril em La Coruña. A mochila, não sabemos por que, pesava mais do que nos anos anteriores. No primeiro dia, com muito frio e subidas intermináveis, caminhamos 37 km até Hospital de Bruma. Só uma observação, “Hospital de Bruma” é, realmente, o nome da cidade.
Foi uma prova e tanto. A Vera não sentiu nada, além do cansaço natural. Foi aprovada! De lá, fomos para Sigüeiro, numa caminhada mais curta. Claro, que os músculos estavam cansados da estripulia do dia anterior, mas sem dores. No dia seguinte, com muita neblina e sem pressa, seguimos para Santiago de Compostela, passando pela “floresta encantada” e chegando, pela sexta vez, e por um outro lado da cidade. Além de agradecer pela recuperação, fomos pedir proteção para os mais de mil quilômetros que viriam pela frente.
O companheirismo, acreditar, incentivar e ter força de vontade foram determinantes para fazer os dois caminhos, apenas 4 meses após uma séria lesão na coluna, quando a previsão de recuperação era de um ano. Com isso, aprendemos que, por mais difícil que seja o problema, é preciso acreditar, ter fé e foco.