
Caminho Central Português:
Porto a Santiago de Compostela
Os primeiros passos...
O primeiro passo foi dado em frente a Catedral da Sé, no Porto. Este é o Caminho Português, que parte do Porto e vai até Santiago de Compostela. Na verdade, são dois caminhos, o do Mar e o Central, que foi o que seguimos. Nesses 270 km, cinco dias em Portugal e cinco dias na Espanha, passamos pelas montanhas, cruzamos bosques, quintas, aldeias, cidades históricas e atravessamos rios e pontes medievais romanas.
Era a nossa primeira caminhada. Não sabíamos nada do caminho e não tínhamos nenhum equipamento apropriado. O Helinho fez um bastão de madeira, os tênis eram normais, as roupas não eram muito adequadas e as mochilas não tinham ajustes. Enfim, tudo errado! Mas, tínhamos uma vontade enorme de fazer aquele caminho, apesar do receio de enfrentá-lo. Seguindo o conselho de uma amiga espanhola, tentamos ver o caminho como um todo, sem pensar nas distâncias a percorrer. Seria como se fosse a nossa própria vida, dia a dia.
Então, foi no dia 14 de setembro de 2013 que, bem cedo, partimos de frente da Catedral da Sé, no Porto. Antes dos primeiros passos, encontramos mãe e filha, de mais ou menos 8 anos, que já tinham feito parte do Caminho Central Português. A menina nos entregou dois pequenos terços, feito por ela mesma. Desejou “bom caminho” e recomendou que não fôssemos a Finisterra. Até hoje não sabemos por que, mas seguimos a recomendação. Naquele ano, não fomos a Finisterra ao terminar a caminhada. Depois disso, já visitamos Finisterra várias vezes, inclusive caminhando.
Demos início à caminhada pela Rua de Cedofeita, antes do nascer do sol. Fomos abordados por um rapaz, completamente bêbado. Ficamos um pouco assustados quando ele veio para perto de nós, nos abraçando. Não tinha ninguém por perto, mas ele só queria nos desejar sorte no nosso caminho e disse com a voz bem pastosa: “- um dia ainda vou fazer este caminho até Santiago”. Hoje, torcemos para que ele tenha feito mesmo!
Caminhamos 26 km até Vilarinho. Nos hospedamos numa casa onde tinham dois quartos para alugar. O quarto de casal já estava ocupado quando chegamos. Ficamos no outro quarto, que tinha uma cama de casal e uma beliche. A senhora, dona da casa, era muito simpática e recepcionou-nos com frutas, suco e ainda serviu queijadinhas fresquinhas e um bom vinho do Porto. Mais tarde, tivemos a companhia de uma sueca que perguntou se já tínhamos feito aquele caminho. Dissemos que este seria o primeiro dia, do nosso primeiro caminho. Voltamos a pergunta a ela que respondeu que aquela era a sexta vez nesse Caminho Português. A sueca já tinha feito 12 vezes o Caminho Francês e 12 vezes o Caminho Inglês. Achamos aquilo uma loucura, mas hoje temos certeza de que aquele seria um prenúncio do que nos tornaríamos, um casal de caminhantes...
Regra número 1 do caminho: não distrair!
Isso mesmo, é preciso estar sempre atento quando estamos caminhando. Qualquer distração nos leva a “outros caminhos”, que nem sempre é o que planejamos.
Todos os caminhos que levam a Santiago de Compostela são identificados pelas conhecidas setas amarelas. Um conselho que repassamos a quem for fazer esse caminho é que, se não acharem a sinalização numa distância de mais ou menos 100 / 200 metros, o melhor é voltar para a última seta e procurar a sinalização.
No nosso segundo dia, chegamos numa cidadezinha e continuamos seguindo as setas para sair da cidade e pegar uma trilha num bosque. De longe, uma adolescente nos chamou a atenção dizendo, “- este não é o caminho que leva até Santiago de Compostela”. Achamos estranho porque a seta estava lá bem demarcada. De repente, uma senhora, num casebre, retrucou: “- o caminho é aqui sim. Hoje já passaram algumas pessoas. Podem seguir”. Ouvimos o conselho da senhora e seguimos certos de que chegaríamos a Barcelos, nossa próxima parada.
Caminhamos muito tempo. Não tínhamos nenhum aplicativo, mapa, nada… somente as setas a seguir. Depois de muito caminhar chegamos numa aldeia. Num bar estavam reunidos os homens do local. O calor era insuportável. Paramos para beber alguma coisa e comer um sanduíche. Perguntamos a um senhor que lugar era aquele e se Barcelos estava longe. Todos os homens vieram falar conosco, dizendo que Barcelos estava muito longe dali. Não acreditamos. As setas estavam ali também. Vários deles ofereceram uma “boleia”, a carona para os portugueses, mas imagina se iríamos entrar num carro, se o nosso objetivo era caminhar e chegar a pé a Santiago. Relutamos! Um senhor chegou de mansinho, nos chamou de lado, e disse: “- vocês estão muito longe de Barcelos. Eu estou indo para lá. Podem vir comigo”. Recusamos. Então veio a cartada final: “- olha, vocês já caminharam muito mais do que deveriam para chegar a Barcelos. Eu sei que quem caminha não quer quebrar a promessa de ir a pé, mas o sol está muito forte. Vocês podem vir comigo e eu coloco vocês no caminho certo, antes da entrada da cidade. Dali, vocês continuam o caminho de vocês”. E assim, ele nos convenceu. Aceitamos a “boleia” e seguimos nosso caminho.
Depois, descobrimos que o “Caminho do Mar” cruzava com o “Caminho Central” onde a adolescente e a senhora nos deixaram em dúvida sobre qual trilha seguir. Seguimos o Caminho do Mar. Ambos chegariam a Santiago, mas a nossa opção era o Caminho Central.
Assim como na vida real, fizemos uma escolha, que não era a que gostaríamos, mas teve quem nos colocou no caminho escolhido. Aprendemos que só precisamos saber, exatamente, qual é o nosso objetivo e segui-lo, confiando que existem pessoas do bem que podem nos ajudar quando for preciso.
O Galo de Barcelos e Napoleão Bonaparte.
Chegamos a Barcelos bem cansados, com sede e fome. Conseguimos lugar numa pequena pousada, bem antiga, mas com funcionários muito simpáticos. Descansamos um pouco, saímos para conhecer a cidade e fazer compras para o dia seguinte. Era domingo e a cidade estava bem movimentada. Em frente a pousada muitas pessoas se reuniram comendo, bebendo, cantando músicas típicas, dançando, se divertindo.
No dia seguinte, bem cedo, saímos de Barcelos e fomos em direção a Ponte de Lima. O início da caminhada estava bem tranquilo, quando numa rua estreita que chamava “Rua do Cruzeiro” levamos o maior susto. Duas “raposas”, símbolo do time de futebol de Minas, o Cruzeiro, cruzaram o nosso caminho correndo. Uia! Na verdade, era preferível ter assustado com dois “galos”, já que somos Atleticanos.
Chegamos à Ponte de Lima e repetimos o ritual. Procuramos um lugar para dormir, descansamos, saímos para conhecer um pouco a cidade, fizemos compras para o dia seguinte, jantamos, dormimos. Tudo isso com muita calma.
Mas, nem só de lindas paisagens, sensação de liberdade, e algumas “perdidas”, que depois viram histórias, é feito o caminho. Existem tropeços. O dia seguinte foi um dia especialmente muito difícil. Depois de deixar a vila medieval de Ponte de Lima, subimos a serra da Labruja.
Um caminho muito cansativo em direção a Rubiães, lugar de poucos recursos. No meio do caminho encontramos a “Cruz dos Franceses”. Este é um lugar enigmático. Contam que ali teria sido enterrado vivo um soldado francês do exército de Napoleão Bonaparte. O soldado foi linchado pelos locais, em retaliação às atrocidades cometidas pelo exército. Por isso, o nome Cruz dos Franceses. Outras histórias circulam por ali. Por exemplo, a morte violenta de um tal Fidalgo. E, de um peregrino italiano que em 1745, encontrou com um famoso bandido da região e o matou.
Enfim, histórias a parte, este foi um ponto alto do nosso Caminho Português. Ponto alto, literalmente e metaforicamente. É a parte mais alta do caminho e a vista do vale é linda. E lá, não sabemos dizer se porque estávamos muito cansados ou se caiu mesmo a ficha que estávamos realizando o nosso sonho, caímos os dois num choro que não conseguíamos parar. Foi uma grande emoção. Depois desta catarse, respiramos fundo e seguimos nosso caminho em direção a Rubiães.
“No caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no caminho” ... A Vera tropeçou nesta pedra do caminho. Com a mochila nas costas foi impossível conter o tombo. Mas, ainda assim, chegamos bem a Rubiães. De repente, tudo ficou bem estranho. Uma sensação de fragilidade, medo de não conseguir seguir adiante. Mas, isto durou pouco. Fizemos um bom lanche com vinho branco numa “bitaquinha” e fomos para um albergue novinho, com gente muito amável. A senhora do albergue ajudou com a limpeza do machucado e mais tarde o proprietário do único restaurante do lugarejo nos buscou de carro para jantar.
A noite foi ótima! Conversamos e trocamos informações com outros caminhantes, com o dono do restaurante e seus funcionários. Depois disso, o mesmo dono do restaurante nos levou de volta ao albergue. Foi uma bela e restauradora noite de sono. Na manhã seguinte estávamos prontos para um novo dia de caminhada. A lição deste dia ficou para sempre. Mesmo nas quedas haverá sempre alguém que vai nos estender a mão, vai nos alegrar e vai nos fazer sentirmos melhor.
Espanha à vista...
Às vezes, nem tudo parece o que realmente é! No quinto dia de caminhada cruzamos a ponte entre Valença, ainda em Portugal, e Tuí, já na Espanha. Felizes por chegarmos a Galiza experimentamos a sopa galega, ficamos curtindo as crianças brincando na praça no final de tarde enquanto os pais conversavam, bebericando um café ou uma sangria.
No dia seguinte, chegamos a Pontevedra, uma cidade maior e com mais recursos. Entramos na cidade e paramos no primeiro pequeno hotel que encontramos. Vimos o apartamento, o preço era bom, o quarto era muito simples, mas limpo. Já cansados resolvemos ficar ali mesmo. Deixamos nossas mochilas no quarto e fomos tomar um refrigerante no bar, que ficava no andar térreo do hotel. Sentimos o ambiente “estranho com gente esquisita”.
Ficamos receosos e subimos para o nosso quarto. Como era uma cidade maior, começamos a questionar se aquele era o melhor lugar para ficar. Neste momento bateram à nossa porta. Era uma senhora com a carteira de dinheiro e documentos do Helinho na mão. A senhora disse: “- vocês esqueceram isso no bar. Cuidem dela!”. Definitivamente, decidimos que ficaríamos ali. Todas as nossas desconfianças foram embora e agradecemos a gentileza daquela senhora. As aparências enganam.
No dia seguinte, seguimos para Caldas de Reis, uma cidade menor, muito agradável às margens do Rio Umia. É uma cidade turística, que mais parece um SPA. A gente pode descansar os pés numa água morna deliciosa, em pleno centro da cidade.
Neste dia, ficamos num hotel muito bom. Sendo uma cidade turística os preços não eram dos mais baixos, mas estávamos mesmo precisando de um pouco de conforto. Um hotel como uma cama macia, lençóis e toalhas branquinhas, uma banheira muito limpa não fariam mal a ninguém. Aproveitamos a mordomia e dormimos super bem.
Pela manhã acordamos cedo, como de costume, com preguiça de deixar todo aquele conforto. Mas, quando levantamos vimos muitos pontinhos pretos no lençol. Abrimos a janela, olhamos bem e a cama estava com muitos, mas muitos bichinhos pretos… ECA!!!! Corremos para o chuveiro. Tomamos um banho, esfregando o corpo e a cabeça com força. Não sabíamos o que era aquilo e se alguma daquelas coisas tinha nos picados ou estavam escondido no cabelo e em outras partes do corpo. A princípio ficamos desesperados, mas, felizmente, não sofremos uma única picada.
Até hoje não conseguimos entender o que foi “aquilo”. Como poderiam esses bichos estarem numa cama tão limpa e tão branquinha? Seria uma “viagem” nossa? Ouvimos dizer tantas coisas sobre o “Caminho de Santiago de Compostela”, que pensamos até que estávamos “expurgando” algo do nosso corpo. Ou, seria apenas um hotel “aparentemente limpo”? Não tem aquele ditado que diz: “por fora bela viola, por dentro pão bolorento?”
Foi assim que concluímos que, às vezes, o preconceito nos cega. À primeira vista, tivemos receio de ficar no hotelzinho simples em Pontevedra porque era um “lugar estranho com gente esquisita”. O outro hotel, por causa das aparências, ganhou toda a nossa confiança. Uma coisa é certa, se pensarmos na palavra “pre/conceito” vamos entender que ideias “pre” concebidas são sempre um erro. O melhor é conhecer primeiro, se informar e depois “gostar ou não”. Mas, pelo menos, é preciso dar uma chance para conhecer, antes de sair pensando e dizendo besteiras.
Chegando lá...
Domingo, 22 de setembro de 2013 foi o penúltimo dia desta caminhada. Foi também dia de comemorar o aniversário do Helinho. Chegamos a Padrón perto do meio-dia.
Contam que o Apóstolo Santiago foi morto e decapitado em Jerusalém e que o seu corpo foi levado numa barca por dois apóstolos, para onde hoje é Santiago de Compostela. Chegando a Padrón, a barca encalhou. Ela foi amarrada numa pedra ou pedrón em galego, o que deu origem ao nome da cidade.
Era dia de feira e a cidade fervilhava de gente. Estranhamos, porque estivemos muito sozinhos quase todo tempo. Vimos pouquíssimos caminhantes nas cidadezinhas e aldeias. Entre esses caminhantes, encontramos um escocês que parou para descansar e saudar o amanhecer, com sua música tocada numa gaita de foles.
Nos hospedamos numa pousada linda. A casa era toda em pedra, tipicamente galega. Fomos descansar um pouco. O dia estava extremamente quente. Mais tarde, resolvemos sair para conhecer a cidade, mas as ruas estavam vazias. Tudo estava fechado, exceto um bar onde nos sentamos para tomar uma cerveja e brindar mais um ano do Helinho. Passado o calor, as pessoas foram saindo de suas casas. Terminamos aquele dia tomando um vinho celebrando o momento. No dia seguinte, chegaríamos em Santiago de Compostela.
Acordamos bem cedo, tomamos café num bar e ainda ganhamos um abraço de “boa sorte”, do dono da cafeteria.
Próximo a Padrón, em Iria Flavia, ainda segundo contam, o Apóstolo Santiago teria feito uma pregação quando esteve na Espanha e que depois teria passado, já morto, trazido pelos seus discípulos.
Pois bem, ali mesmo em Iria Flavia, uma garrafa de água, que estava dentro da mochila do Helinho, vazou molhando não só o que estava dentro da mochila, inclusive os passaportes, mas também toda a sua roupa. Mas estávamos felizes demais para ficar incomodado com esse incidente. Estávamos chegando ao nosso destino. Se a água do batismo representa “purificação” e “renovação”, foi ali que fomos batizados como “peregrinos”, “caminhantes”, “viajantes” ...
Avistamos Santiago de Compostela de longe. A sensação era impossível descrever. Alegria por chegar ao nosso objetivo, mas uma pontinha de tristeza pela caminhada terminar. Ali concluímos que o caminho não acabaria naquele dia. Seis meses depois iniciamos o Caminho Francês.
A chegada a Santiago de Compostela foi um misto de sentimentos e um pouco de decepção. Caminhar nos trouxe uma energia boa, a sensação de liberdade e compartilhamento. E, ali deparamos com uma cidade grande, com os moradores indo e vindo sem nem olhar ou responder a nossas saudações. Passamos por um grande hospital, lojas, prédios. Enfim, queríamos saltar tudo isso e chegar logo na Catedral. E, finalmente, chegamos às 15hh30. Entramos e nos emocionamos muito. Fizemos todo o ritual do peregrino, choramos, rezamos, abraçamos Santiago, agradecendo por aquela oportunidade de caminhar e chegarmos bem. E reforçamos o nosso desejo de ali voltar em seis meses.
No dia seguinte fomos à Missa do Peregrino e vimos o “botafumeiro”. Emocionamos de novo. Ficamos em Santiago dois dias, antes de começar a tomar o nosso caminho de “ida” para casa…
Algumas pessoas sabem que em 2001 fomos para o Alaska de carro. Quando estávamos chegando lá tivemos este mesmo sentimento de alegria e tristeza por estar próximo ao nosso objetivo e por acabar ali algo que planejamos por longo tempo. Para manter a cabeça no lugar, decidimos que não mais usaríamos a palavra “volta”. Que a vida seria, para nós, sempre uma viagem de “ida”. E assim é que temos administrado esses momentos, a gente sempre “vai”.
Ah! Mas desta vez não fomos a Finisterra … Seguimos o conselho da nossa pequena amiga portuguesa...
Depois de um Caminho Cristão, uma Rota Islâmica...
Depois de percorrer um caminho que iniciou em frente a Catedral da Sé, no Porto, terminou na Catedral de Santiago de Compostela e, antes de “ir” para casa, resolvemos conhecer uma rota por onde passaram tanto cristãos como muçulmanos.
Iniciamos em Mérida e chegamos exatamente num dia de festas. Os principais pontos turísticos da cidade estavam cheios e muitas pessoas vestidas ao estilo romano da Idade Média. E foi, numa taberna, perto do Templo de Diana que experimentamos um vinho de rosas. Nada mal, mas também nem tão bom
A cidade tem muitos lugares a serem visitados: os Acuedutos de Los Milagros e de San Lázaro, a Basílica de Santa Eulália, o Anfiteatro Romano, Arco de Trafaro, o Museu de Arte Romana, Alcazaba, a Ponte Romana sobre o Rio Albarregas, Ponte Lusitania, Zonas Arqueológicas da Moreria e o famoso Templo de Diana.
Visto tudo isso, partimos para Córdoba. Ali, nos deparamos com um centro histórico muito interessante, uma vez que foi uma importante cidade romana e um grande centro islâmico na Idade Média. O primeiro lugar que visitamos foi La Mezquita, que tem uma sala de orações com colunas e mosaicos bizantinos. Depois foi transformada numa catedral católica que comportou uma nave renascentista à sua arquitetura. E assim seguimos visitando toda a parte da Medina, da Judiaria, Alcazaba, a Cavalaria Real, os Moinhos, a Sinagoga, a Plaza La Corredera, que já abrigou na Idade Média um cenário de execuções e prisão. Depois, fomos ao mercado que hoje, além de sediar festas como Noche Blanca del Flamenco, é um lugar bem agradável com bares, cafés e restaurantes. Além desses lugares, estivemos na Plaza del Potro, Ajerkia ou, simplesmente, caminhamos pelas ruas da cidade, imaginando o que ali seria durante o domínio islâmico.
Era hora de partir. Estávamos ansiosos por conhecer Granada, por toda a história que nela vem contida. E, lá chegamos! Por sorte, conseguimos comprar e agendar uma visita ao Alhambra. Esse é um lugar imperdível. Quem for a Granada e não conhecer Alhambra, sinto muito, mas não conheceu a cidade e sua história.
Alhambra foi considerada a oitava maravilha do mundo e está localizada na colina Sabika, que fica bem em frente ao bairro Albaícin. Ao fundo está a Sierra Nevada, fazendo parte de toda a paisagem de Granada.
Alhambra é uma cidadela, com o palácio, cujo nome pode ser traduzido para o português como “castelo vermelho”, e “fortaleza árabe”. Passamos o dia inteiro vendo todos os detalhes do complexo. Dentro e fora, nos jardins, nos transportamos para aquela era remota. Mas, Granada reservava ainda outras maravilhas como, a Capilla Real, Corral del Carbon, a Parroquia de los Santos Justos y Pastor e o Mosteiro de San Jerónimo, Plazas de Izabel La Catolica e Campo del Principe, os Banhos Árabes e muito mais.
O bairro de Albaicín é o mais mouro de Granada. Caminhar pelas suas ruas e parar na Plaza Larga para comer uns “tapas” e tomar umas cervejas foi uma delícia. Também são imperdíveis a vista San Nicolas e o Sacromonte, conhecido como bairro cigano. Ao longo do Camiño del Sacromonte estão as “cuevas” (casas cavernas) que apresentam o flamenco a noite. Enfim, Granada foi uma cidade para apreciar e aproveitar cada cantinho, curtindo as suas histórias e sua comida e a vista do Alhambra, que é parte da paisagem granadina.
Era hora de partir para Sevilha, nossa última parada pela Andaluzia. Numa outra viagem conhecemos tanto Sevilha quanto outras cidades andaluzas. Mas, foi ótimo retornar anos depois. A proposta ali era revisitar lugares e aproveitar o que Sevilha traz, a alegria.
Para nós, Sevilha continuou a ser uma das cidades mais espanholas do nosso imaginário. Elegemos um bar que chamava Las Gitanas Locas, para o final do dia, depois das nossas andanças pela cidade visitando a Catedral, Alcazar, Giralda, o bairro Judeu, a Plaza de España, a Plaza de Toros. Sobre a Plaza de Toros, vale ressaltar que numa outra ida a Sevilha, nos aventuramos numa tourada. Essa foi uma experiência pra lá de traumática. Ficamos perto de um senhor e a da sua neta, que nos “ensinou” tudo sobre esse “jogo” bizarro. E, por acaso, o toureiro foi desmoralizado. O touro frente a frente com o toureiro não caiu diante dele, o que foi motivo para a sua desmoralização e muitas vaias.
O bairro de Triana também foi um ótimo lugar para estar. O Mercado de Triana é uma das atrações, fora os bares com comidas típicas, como o salmorejo, outros tapas e muita música flamenca.
Embora Sevilha já fosse um lugar já conhecido, ficou o desejo de voltar. Outras cidades vizinhas também estão no nosso radar. Inclusive, ainda consideramos fazer a pé a Rota do Califado, que nos trará a oportunidade de conhecer ainda mais essa cultura andaluza.