
Pé no Mundo
Grécia
Helinho bonitão... Outra vez...
E assim, fomos viajando. Voltamos à Europa várias vezes, conhecemos outros países como Portugal, Espanha, Turquia, República Tcheca, outras partes da França, Alemanha, Itália, e muito mais... A viagem sempre começava por Amsterdã. Viramos até “Frequent Flyer” da KLM.
Numa dessas vezes, decidimos conhecer a Grécia. O roteiro incluía Atenas, Mykonos, Santorini, Creta, Rodes, Simi e Kos.
Resolvemos fazer uma reserva, naquela época por fax. Como o voo chegaria por volta de 23h30 avisamos o horário e ficamos tranquilos.
No aeroporto de Atenas, pegamos um táxi, nossa única alternativa naquela hora. O taxista não falava inglês. Quando dissemos o nome do hotel o taxista fez cara de desentendido. Dissemos, novamente, devagar e em bom som: AFRODITE. E ele continuou com cara de paisagem. Então pensamos: - “Em grego deve ser diferente”. E começamos a tentar falar de diversas maneiras – Afródite, Afrodaite, Afrodití, Eifrodite. Tentamos de todas as formas e nada. Até que resolvemos mostrar a reserva. Foi quando ele disse: - “Afrodite!” Exatamente como dissemos na primeira vez.
Quando chegamos ao hotel, o senhor que estava na recepção, e que também era o proprietário, informou que a nossa reserva tinha sido cancelada. Ele disse que chegaríamos as 23:30 e já passava muito da meia noite. Não tivemos dúvida, falamos que dormiríamos no sofá da recepção. Naquela hora não sabíamos nem como encontrar um outro lugar para ficar. Foi então, que ele começou a procurar um outro hotel. Todos os lugares que ele ligava, ele mesmo dizia que era muito caro. Até que depois de várias ligações disse que tinha conseguido um hotel, não muito longe dali. A diária era até mais barata. Ficamos um pouco desconfiados, mas fomos lá. Naquele horário não nos restava outra alternativa. Gentilmente, pediu um funcionário para nos ajudar com a bagagem e fomos caminhando uns poucos quarteirões. Enfim, chegamos. Era um hotelzinho bem simpático e aconchegante. O quarto tinha uma varanda com vista para a Acrópole. Melhor, impossível!
Descansamos e nos dias que se seguiram, tivemos tempo de sobra para visitar todos os pontos turísticos de Atenas, tomar Ouzo – uma versão grega do Árak –, e comer pistache, sentados na varanda do nosso quarto admirando a Acrópole. Exploramos o centro de Atenas, Plaka, com seus cafés e restaurantes,Anafiotika, Monastiraki, Psyri, Syntagma... Enfim, não ficou nada por ver.
Assim, era hora de seguir de ferryboat para as ilhas. A primeira a ser visitada foi Mykonos. Alugamos uma scooter e nos divertimos muito, visitando as praias mais distantes. Numa dessas vezes, resolvemos ir a Super Paradise, uma praia de nudismo que só chegava de barco ou passando por uma trilha. Fomos pela trilha. Nunca vamos esquecer a cena que nos deparamos, ainda do alto de um morro. Vimos um peladão, com uma boia de patinho na cintura, carregando uma bandeja com taças de champagne, cantando: - “happy birthday to you...” para um dos amigos da turma de peladões. Eles se divertiam e nós também rimos muito. Essa foi a primeira impressão que ficou do lugar.
À noite, era sempre uma festa, com muitos turistas indo e vindo, ou nos bares e restaurantes. Num desses dias, paramos num bar que estava tocando “Garota de Ipanema”, para beber alguma coisa. Percebemos que num bar, do outro lado da rua, tinha um cara lindo, louro, forte, bronzeado, olhando em nossa direção. Opa! Achamos que a Vera estava fazendo sucesso. Mas, depois descobrimos que era o Helinho que estava fazendo sucesso.. Rimos muito do nosso engano e acenamos para ele, que retribuiu sorrindo.
A Grécia é linda...
Uma viagem que seria de 15 dias na Grécia terminou em 30 inesquecíveis momentos. De Mykonos, fomos para a Santorini e nos surpreendemos, mais uma vez, com a beleza indescritível do lugar. O azul profundo das águas do Mar Egeu, fundia com o céu azul no horizonte.
E a viagem não acabou por ali. Passamos desde Creta, a maior ilha da Grécia e suas praias paradisíacas, até a pequena Simi. Fomos ver o famoso Colosso de Rhodes, que fica na ilha com o mesmo nome e segunda maior ilha grega. Uma cidade que coleciona histórias medievais. E, de lá, fomos para Kos.
A chegada em Kos foi ainda de madrugada. Ficamos pensando como encontrar um lugar para ficarmos. Resolvemos caminhar pelas ruas ainda escuras. Nos deparamos com um hotelzinho, com as portas abertas. Entramos e não tinha ninguém na recepção. Vimos um bilhete que pedia para tocar a campainha no portão ao lado. Nesse momento passou um senhor de carro e perguntou se estávamos procurando lugar para hospedar. Dissemos que sim e vimos que dentro do carro tinha um casal, que reconhecemos do ferryboat. Ele disse que deixaria o casal no hotel e que voltaria para nos buscar.
Ficamos esperando um pouco, mas achamos que estava demorando e resolvemos caminhar na direção em que o carro tinha ido. No final da rua tinha um grande estacionamento de ônibus. Não vendo mais o carro, resolvemos voltar até o hotel que vimos primeiro. O silêncio da madrugada foi quebrado pelo barulho de um carro. O mesmo grego parou e abriu as portas para entrarmos no carro. Entramos, sem o menor receio. Mas, o carro, inesperadamente, entrou para o estacionamento de ônibus. Foi quando pensamos: - “entramos numa roubada”. E o carro seguiu. Vimos uma construção, um buraco gigante cercado. E o medo tomou conta. Estava ainda escuro e não dava para distinguir direito o que tinha em volta. O senhor mandou descermos do carro e obedecemos. Ele entrou, no que parecia um prédio em construção. E nós seguimos atrás. Quando chegamos no hall do prédio, tudo mudou. O interior era todo em mármore branco, circular. Lindo! Ficamos num ótimo apartamento com uma grande varanda.
Descansamos até amanhecer. Então vimos onde estávamos. O tal “buraco” cercado, era uma área arqueológica. Quando estavam construindo o hotel descobriram aquela área e toda a obra teve que ser paralisada. Este era o motivo da parte de fora do prédio ainda estar inacabada.
Tínhamos como vizinhos de quarto, dois ingleses e três australianas. Todo final de tarde e comecinho de noite era uma festa. Cada um na sua varanda e bebíamos Ouzo, Metaxa, Retsina... E ficávamos horas conversando. Depois eles sempre saiam para a noitada e voltavam já amanhecendo. Nós preferíamos descansar para aproveitar o dia seguinte.
Kos é uma ilha pequena, onde nasceu Hipócrates, o pai da medicina. A árvore, onde o médico ensinava aos seus discípulos, no centro da cidade, era um dos pontos de visitação dos turistas. Além disso, as ruínas de Asklepieion, onde Heródico ensinou medicina a Hipócrates, também era um ponto turístico.
Como Bodrum, já na Turquia, ficava próximo a ilha, pegamos um barco e resolvemos conhecer a cidade. Chegando lá, os policiais ficaram com os nossos passaportes e nos autorizaram uma permanência por vinte e quatro horas. Foi pouco tempo, mas foi o suficiente para colocarmos, pela primeira vez, o nosso pé na Turquia.
Finalmente, depois de 30 dias, conhecendo um pouco mais sobre história e mitologia grega, viajando no tempo, bebendo e comendo muito bem, assistindo algumas danças típicas e curtindo as praias paradisíacas atravessamos de navio para Bari, na Itália. Nos despedimos da Grécia com a certeza de que voltaríamos para visitar mais algumas das muitas ilhas que compõe o país, sem contar o interior, tão pouco divulgado para os turistas.
Ao desembarcar do navio, já na imigração italiana, fomos confundidos com albaneses, por causa do passaporte brasileiro que era verde na época, como dos albaneses. Revistaram nossa bagagem e ao perceberem que tinham cometido um engano, fomos muito bem recebidos. Nossa bagagem foi marcada como revistada e fomos muito bem-vindos à Itália. Toda a confusão foi porque a imigração albanesa estava num movimento crescente, o que preocupava o país.