top of page

Girando o nosso radar para a Istambul, Capadócia, Praga, Berlim e Amsterdam 

Voar, voar ...

Era 2012 e decidimos conhecer a Turquia. O nosso destino era Istambul e a Capadócia. Mas, resolvemos também passar por Praga e retornar a Amsterdam. 

Voamos primeiro para Roma. Nossa estadia era de apenas um dia. Seria ótimo revisitar a cidade, enquanto esperávamos nosso voo para Istambul a noite. Nosso desejo foi frustrado por uma chuva forte, que nos impediu de sair do aeroporto. Com isso, o tempo de espera para o próximo embarque foi bem cansativo.

A noite partimos para Istambul. Chegamos as duas da manhã e nos deparamos com um aeroporto enorme e ainda muito movimentado. O hotel tinha um traslado e o motorista era muito simpático. Ficamos em Sultanahmet, onde estavam os maiores pontos de interesse. Antes de chegar ao hotel, deparamos com uma cena incrível e para nunca mais esquecer. A Mesquita Azul estava toda iluminada e as aves faziam um verdadeiro balé e algazarra. Pedimos para o motorista parar o carro e ficamos contemplando aquela maravilha. 


No dia seguinte, começamos a nossa andança por Istambul. E, claro, que a Mesquita Azul foi a primeira a ser visitada. Construída no século XVII tem uma arquitetura espetacular, tanto por fora quanto por dentro. 

A Cisterna da Basílica é outro lugar maravilhoso. Na verdade, é bem enigmático. As colunas de mármore, os entalhes na forma de Medusa, a iluminação, a lâmina d’água, tudo impressionou. Hagia Sophia foi outro ponto alto. Considerada um dos Patrimônios da Humanidade, esse edifício que foi tanto mesquita quanto uma basílica é fantástico. 

E os dias que se seguiram foram igualmente cheios. No Palácio de Topkapi ficamos quase o dia todo. É enorme! Os ambientes com os salões, o harém, a biblioteca e os tesouros são indescritíveis.

O Grand Bazaar é uma mistura de cultura, aromas, odores e um pouco de magia. De longe os vendedores já imaginam a nacionalidade dos turistas. Conosco, vieram falar qualquer coisa em português. Como sabiam? Não sabemos, mas a estratégia, às vezes, funciona. Paramos numa das bancas que vendia aquelas luminárias coloridas. O vendedor, bem pegajoso, segurou no ombro da Vera para subir numa pequena luminária e mostrar que eram autênticas e resistentes. Além de tudo, são bem espertinhos.

Cruzar o Bósforo para o outro lado foi bem interessante também. O Bósforo separa a Turquia nos dois continentes, Ásia e Europa. No final, são duas metades, iguais nos costumes. Mas, é interessante a sensação do limite. Uma linha imaginária que diz muito na história. Kadikoy, o bairro do lado asiático, bem descontraído, tem também mercados, artesanatos, opções gastronômicas e perto encontra-se Moda, que como o nome indica, é onde estão os ateliês e as baladas.

Istambul não é somente uma cidade histórica antiga. Tem uma outra parte que combina o moderno, lojas de grifes famosas, cafés e restaurantes. Na rua Istiklal, onde também passa um bondinho, e na praça Taksinencontramos tudo isso. Além disso, o hipódromo romano e obelisco, o Spice Bazaar, Yasi Mosque, a Galata Bridge e a Galata Tower, a cerimonia dos Dervixes Rodopiantes, os banhos turcos, a estação ferroviária de Sirkeci, do famoso filme “Assassinato no Expresso Oriente”, merecem ser explorados. 

A Turquia nos conquistou e surpreendeu. Fomos também para Göreme, na Capadócia. A cidadezinha era bem charmosa, colorida e com as casas de pedras. Existem vários hotéis caverna. As atrações principais são as formações rochosas em forma de chaminés, as “chaminés das fadas” como são conhecidas e os voos de balão. Na verdade, a região é um verdadeiro museu a céu aberto. 

Não poderíamos deixar de ver toda esta maravilha de cima. Por isso, ainda estava escuro quando uma van nos buscou no hotel. Enquanto preparavam o balão para o sobrevoo, serviram um café da manhã. Mais ou menos às 6h o nosso balão levantou o voo tão de mansinho, que parecia uma pena no céu. De repente, o céu ficou todo colorido com os outros balões. O voo durou cerca de uma hora. Às vezes, voávamos tão baixo, entre os vales, que parecia que não subiríamos mais. E, de repente, estávamos muito alto de novo. A paisagem era incrível e o voo in-des-cri-tí-vel. 

O piloto era um português, o João Rodrigues, muito divertido. No final, o balão pousou numa carretinha, tão mansinho quanto levantou voo. Descemos e comemoramos com champagne, uma tradição de boas-vindas. Recebemos um certificado, com foto para guardarmos de recordação. Mas, recordação mesmo foi o que vivenciamos naquele dia. 

Aproveitamos os outros dias para visitar a região. Fomos a Derinkuyu, que tem uma das maiores cidades subterrâneas encontradas na Turquia. É uma cidade subterrânea suficientemente grande para abrigar vinte mil pessoas, gados e alimentos. Foi um pouco claustrofóbico, mas valeu a pena. Fomos também a Nevşehir, Ürgüp, Uçhisar e seu castelo na maior “chaminé das fadas” da Capadócia. Nessa montanha de pedras o castelo construído pelos romanos nos séculos XII e XIII abriga várias câmaras, casas, depósitos, cisternas, adegas e tumbas. Depois disso, voltamos para Istambul. Foi um retorno bem dramático. Pensamos que seriam os últimos minutos das nossas vidas.

O aeroporto fica distante. Pegamos um ônibus e o céu estava carregado de nuvens que anunciavam uma grande tempestade. Quanto mais nos aproximávamos do aeroporto o céu ficava mais escuro. O único avião do dia atrasou. Chegou em meio a raios e trovoadas. Pensamos até que o voo seria cancelado. Mas, o que aconteceu foi o contrário. O embarque foi acelerado para partirmos antes que o pior acontecesse. Fomos embarcados e, naquele momento, jurávamos que não sairíamos daquele lugar. Olhando para o final da pista, o que víamos era apenas um buraco nas nuvens espessas e escuras. O avião preparou para a decolagem e o passageiro da frente começou a filmar os raios que desciam. Nós, nem pensamos em filmar os que pensamos ser os nossos últimos minutos. O avião decolou, passou por aquele único buraco nas nuvens e sequer balançou. Parecia que estávamos entrando em outro mundo. O céu azul nos fez pensar, “foi um milagre ou morremos?” Felizmente, estávamos bem vivos para contar essa história. 

O aeroporto fica distante. Pegamos um ônibus e o céu estava carregado de nuvens que anunciavam uma grande tempestade. Quanto mais nos aproximávamos do aeroporto o céu ficava mais escuro. O único avião do dia atrasou. Chegou em meio a raios e trovoadas. Pensamos até que o voo seria cancelado. Mas, o que aconteceu foi o contrário. O embarque foi acelerado para partirmos antes que o pior acontecesse. Fomos embarcados e, naquele momento, jurávamos que não sairíamos daquele lugar. Olhando para o final da pista, o que víamos era apenas um buraco nas nuvens espessas e escuras. O avião preparou para a decolagem e o passageiro da frente começou a filmar os raios que desciam. Nós, nem pensamos em filmar os que pensamos ser os nossos últimos minutos. O avião decolou, passou por aquele único buraco nas nuvens e sequer balançou. Parecia que estávamos entrando em outro mundo. O céu azul nos fez pensar, “foi um milagre ou morremos?” Felizmente, estávamos bem vivos para contar essa história. 
 

Ficamos mais uns dias em Istambul. Depois, sem traumas de avião, desembarcamos em Praga.

Perdidos e achados ... em Praga e em Berlim... e comemoração em Amsterdam 

Em Praga nos perdemos e nos achamos muitas vezes. Mas, o primeiro lugar que foi um achado na cidade foi a feirinha da Namesti Republika. Ficamos hospedados bem perto, então foi fácil. Experimentamos a cerveja Budweiser, mas não aquela americana que conhecemos. Experimentamos a Budweiser Czechvár, produzida e consumida desde o século XVI na corte do rei. Por isso, foi apelidada de “beer of kings”. 

Andamos em toda cidade para conhecer os lugares mais famosos. Assim, conhecemos o monumento de Jan Hus, a igreja de São Nicolau, a igreja de Nossa Senhora de Týn e a Stone Bell House, uma das casas mais antigas de Praga e que tem um sino pendurado na parede externa. 

Visitamos Obecní dům, que é a Câmara Municipal que abriga o Smetana Hall, onde são exibidos importantes concertos musicais. O Orloj é um relógio astronômico que faz a festa dos inúmeros turistas da cidade. O espetáculo é conhecido como a “caminhada dos apóstolos”. Isso porque, os doze apóstolos de Jesus, que estão na fachada da Torre do Relógio, aparecem a cada hora, de ambos os lados da torre. Parece que estão caminhando, daí o nome. O Old Town Hall pode ser visitado, assim como a Torre da Pólvora.

Numa dessas perdidas pela cidade, atravessamos a Ponte Carlos, um dos cartões postais de Praga. A ponte é uma obra suntuosa e com muitos turistas. Ela liga a cidade antiga ao bairro do outro lado do Rio Moldava, o Malá Strana. Subimos até o Petrin Park e vimos a sua torre, uma espécie de Torre Eiffel bem menor. Ainda nessa peregrinação, visitamos a igreja do Menino Jesus, que aqui ficou conhecido como o “Menino Jesus de Praga”. Nos emocionamos quando vimos uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, doada por um bispo brasileiro. 

Praga é uma cidade para caminhar e conhecer os seus encantos em cada canto. Passamos pela rua das Embaixadas, entramos no Castelo, que segundo o Guinness Book era o maior do mundo. O seu interior abriga muitas atrações como igrejas, jardins, restaurantes, biblioteca e uma bela vista da cidade. 

Museus, Sinagogas, catedrais, igrejas, o Mosteiro Strahov, a Casa Dançante, interessante construção que une o antigo e o moderno, o Monumento Cabeça de Franz Kafka, o Museu na Praça Wenceslau, a rua mais chique de Praga, a Nerudova. Enfim, para conhecer a cidade foi preciso caminhar muito, achando lugares incríveis e nos perdendo, como aconteceu algumas vezes no centro antigo. A cidade medieval com ruelas, becos e construções altas não nos deixa nenhum ponto de orientação. Por isso, é fácil ficar perdido.

Depois de conhecer Praga, pegamos um trem para Berlim. Em outras épocas conhecemos algumas cidades na Alemanha, mas não Berlim. Então, “pernas, para que te quero”? Para caminhar e conhecer a cidade. 

Berlim é uma cidade para ser desfrutada durante o dia e a noite, mas como somos do dia não perdemos tempo. Chegamos e nos instalamos num B&B muito simpático, num ótimo local residencial, bem perto da Kurfürstendamm, uma das mais famosas ruas da cidade com muitos restaurantes e lojas de grife. Foi um importante centro comercial do lado ocidental na época em que a cidade ainda era dividia pelo muro. Foi dali que começamos a nossa visita.

Berlim tem muitos pontos de interesse e o primeiro que visitamos foi a Victory Column, que oferece uma vista linda. Depois seguimos para o Portão de Brandenburg, Museu e Catedral de Berlim, a Casa de Cultura e a Torre 360 graus, com a vista dos prédios e monumentos históricos. 

 

Ainda tinha muita coisa a ser vista, como a Potsdamer Platz, a Topografia do Terror, que mostra os horrores praticados pelos nazistas. Muito chocante! Dali, mergulhamos na história. Passamos no Checkpoint Charlie, o posto militar na fronteira entre Berlim Ocidental e Oriental durante a Guerra Fria, e nos perdemos pelo lado Oriental. 

 

Caminhamos pela Karl-Marx-Allee, que é uma monumental avenida socialista construída pela RDA entre 1952 e 1960. Observamos os edifícios com muitas moradias, tal e qual vemos nos filmes da época. Vimos a estátua de Stalin e nos deparamos com uma placa que homenageava o nosso legendário arquiteto Oscar Niemeyer, que participou da reconstrução de Berlim junto com outros renomados arquitetos. 

 

Berlim comporta ainda muitos lugares históricos como o Reichstag, que é o Parlamento, Alexander Platz, Mauerpark e outros. Mas, foi o Memorial do Holocausto que nos deixou a pensar sobre o lado negro da história dos alemães. É um quarteirão inteiro com 2700 blocos de concreto, diferentes inclinações e tamanhos, dando movimento ao complexo e que representa os judeus, vítimas do holocausto. E assim, com alguns dias e muitas andanças nos despedimos de Berlim e fomos de trem para, mais uma vez, aproveitar a bela cidade de Amsterdam. 

 

Seriam apenas quatro dias. Mas, tinha um motivo especial, comemorar o aniversário da Vera. Revisitamos lugares já conhecidos, vimos um show em praça pública, que até a música do Michel Teló “Ai se eu te pego” foi cantada num português claro. Bebemos cerveja no nosso bar preferido, o Nasty. E, finalizamos o dia sentados em frente o hotel, ao lado do canal, tomando vinho. Nada teria sido melhor do que isso. Ver os barcos pra lá e pra cá. Turma de amigos bebendo, casais de namorados e música. O clima era de festa e foi ótimo para ficar até a madrugada. 

 

Nos dias que se seguiram, foram somente de desfrute pela cidade. Flanamos e acreditem, mesmo conhecendo Amsterdam muito bem, nos perdemos pelos becos, canais, ruas e parques... Vimos um outro lado que nunca tínhamos estado e nos achamos na cidade que nos apaixonamos desde a primeira vez que lá estivemos ...

    bottom of page