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Pé no Mundo
Índia - Nepal - Tailândia - 
Hong Kong - Macau

Quase perdendo o voo...

Como Frequent Flyer da KLM, fomos para Amsterdam, e de lá seguimos para Nova Delhi. Planejamos tudo direitinho. O voo para Delhi, no dia seguinte à nossa chegada, seria a tarde. Assim, ainda poderíamos aproveitar um pouco mais a cidade. Mas, depois de uma noitada em Amsterdam, acordamos pelas oito da manhã, ainda com sono, e resolvemos olhar a passagem de novo. Levamos um susto. Na verdade, o nosso voo para Nova Delhi não era a tarde, mas as 10h. Pulamos, literalmente, da cama. Vestimos a roupa correndo e ligamos para a recepção dizendo que precisávamos fazer o check out e um táxi para o aeroporto com urgência. 
 

Descemos correndo, entramos no taxi e o motorista perguntou o horário do voo. Quando dissemos ele disparou em alta velocidade. A rua estava escorregadia, com uma camada fina de gelo. Chegamos ao aeroporto rápido, descemos do carro e corremos para fazer o check in. O embarque já estava aberto. 

           

Para quem conhece o aeroporto de Schiphol vai entender o nosso drama. Corremos por aquele aeroporto enorme até o nosso portão de embarque, que era muito longe. Quando chegamos, estávamos molhados de suor, sem banho, sem café da manhã e ainda com o gosto de “corrimão de escada” na boca, por causa da noitada de bar em bar. Fomos os últimos a embarcar. 

 

Depois de doze horas de voo, chegamos a Nova Delhi. Já passava da meia noite. Nós tínhamos reservado um hotel, indicado por uma amiga brasileira, que tinha um namorado indiano. Pegamos um táxi pré-pago no aeroporto, dica preciosa da Jussara. Mas, além do motorista, entrou também outra pessoa no banco da frente. Achamos estranho e questionamos o porquê do nosso acompanhante inesperado. Ele queria que fôssemos para um outro hotel que representava. Depois de muita insistência, ele se convenceu que não mudaríamos de ideia e desceu do carro. 

​​​Seguimos mais tranquilos, num táxi tipo inglês, com um taxímetro do lado de fora, fixado no para-lamas dianteiro, mas que já não funcionava há anos. Enfim, chegamos ao hotel pelas 3h, mortos de cansados e sentindo os efeitos do fuso horário. Dormimos pesado. Fomos acordados por alguém batendo forte na porta do quarto, já perto de meio dia. Ouvimos os sons da cidade – buzinas, bramidos de elefante, pessoas conversando e gritando. Assustados, levantamos desentendidos e fomos conferir o que se passava do lado de fora do hotel.

Não demorou muito e já estávamos nos acostumando ao caos daquela cidade grande e poluída, com animais nas ruas, tráfego congestionado, carros e riquixás buzinando o tempo todo. Não é incomum ter um letreiro, na parte de trás dos carros, que diz: “horn please”. Muitas vezes, entrávamos nos templos para descansar daquela loucura. 

Fomos ao Grand Bazaar encontrar o namorado da nossa amiga. Ficamos muito tempo conversando e ele convidou a assistir, naquele mesmo dia, uma cerimônia importante no templo Sikh. Não só assistimos a cerimônia, como num ritual bebemos a água onde a pessoa que servia, estava descalço dentro do poço. Embora a recomendação fosse de nunca beber água que não fosse mineral, não tivemos nada. A fé transcende e nós fomos contagiados pela fé daquelas pessoas, da cerimônia e do ritual.

Caminhamos muito pela cidade, vimos coisas que achamos bizarras, mas que eram apenas costumeiras por ali. Outras coisas foram engraçadas, como o menino que insistia para limpar o tênis do Helinho. Quando ele agradeceu e disse que não precisava porque o tênis estava limpo, o menino não teve dúvida, jogou barro e disse: - “Agora está sujo. Posso limpar?” 

À noite fomos a um restaurante giratório, muito recomendado pelos amigos. E, claro, tomamos mais cerveja do que é normal para os indianos. Estávamos de férias e felizes. Mas, o garçom, vendo que uma mulher estrangeira estava bebendo começou a olhar de um jeito assim..., bem interessado. E não é que o cara de pau sempre que podia dava uma encostadinha... Não levamos muito a sério e rimos muito da situação, que virou história a contar.

 

Ainda ficamos alguns dias em Delhi, antes de seguir de trem para Agra, para ver o Taj Mahal. Por recomendação do nosso amigo indiano Raja, deveríamos comprar as passagens de primeira classe. Mas, depois de esperar quase duas horas na Estação Ferroviária, vendo uns ratinhos passando pra lá e pra cá, fomos chamados no guichê de compras onde um senhor, muito solícito, disse que só tinha passagens de segunda classe para o dia seguinte. E completou: - “o que são duas horas de viagem na segunda classe. A viagem é rápida e o trem não vai tão cheio”. Pronto. Nos convenceu, mas... 

A inesquecível experiência na segunda classe de um trem indiano…

No dia seguinte, às seis horas da manhã, chegamos à estação de trens. Dentro estava tão escuro quanto do lado de fora. Tinha gente dormindo no chão do saguão, nas plataformas e não tinha nenhuma indicação de onde o nosso trem sairia. Procura daqui e dali e, de repente, um tropeço em alguém dormindo. Lá se foi a Vera para o chão. A cena era, a Vera em cima de alguém deitado no chão da estação, tentando se levantar com a mochila nas costas. Gritava para o Helinho ajudar, mas com o barulho da estação e a multidão não ouvia e sequer viu o tombo. Só quando ele sentiu minha falta e olhou para trás viu a cena esdrúxula. A situação foi muito engraçada, mas o tombo foi feio, o que resultou num joelho machucado e uma cicatriz que ficou para sempre relembrar aquele dia. 

Depois disso, encontramos outros turistas perdidos na estação e nos juntamos a eles. Fomos todos tentar saber qual plataforma embarcaríamos para Agra. Uma confusão. Tanta correria e o trem só chegou às 9h. Os outros turistas seguiram para a primeira classe. E nós fomos para a nossa “segundona”. 

Para embarcar foi outra confusão. Um verdadeiro empurra-empurra. Conseguimos subir no nosso vagão, mas tivemos que entrar num pequeno corredor, onde ficavam os banheiros. O cheiro era horrível. Mas, logo conseguimos chegar nos nossos assentos. Na nossa frente sentou um casal de ingleses. Quando nos demos conta, onde deveriam estar quatro pessoas, já tinham seis pessoas. O trem estava lotado. Tinha gente sentada nos braços das poltronas, deitada numa espécie de segundo andar, acima dos assentos. Um caos!

Já com o trem em movimento um dos passageiros, que estava em pé, deu um cartão para a moça inglesa. Quando ela olhou o cartão ficou possessa de raiva. A princípio não entendemos nada. Depois vimos que era um cartão com o nome e o telefone de alguém que trabalhava com “orientação sexual”. Por ela ter aparência física de uma indiana, foi confundida como uma “Escort Girl”. A moça inglesa ficou muito brava. O marido, no início ficou sem entender o que tinha acontecido, mas quando soube o inglês ficou muito bravo também. 

Enfim, uma viagem que era prevista para duas horas, segundo o senhorzinho simpático do guichê de venda de passagens, demorou sete longas horas naquela situação desconfortável. O povo fumava, jogava carta, comia sanduiches com cheiro forte de Garam Massala e outros temperos indianos...Um sufoco até chegar a Agra.

Quando descemos do trem, vimos um riquixá. Este foi o nosso mal. O homem virou o “riquichato”. Ele não desgrudou mais. Era só colocar o pé para fora do hotel e o “riquichato” estava lá. Queríamos caminhar e, quando olhávamos, ele estava atrás de nós.  Por mais que tentássemos despistá-lo era impossível. Numa dessas vezes, ele pediu, quase implorando, para pagarmos a corrida com antecedência porque ele precisava levar o dinheiro para o “dono” dele. Dizia, textualmente, “my owner”. Aquilo bateu forte. Ficamos com muita pena dele.  E, foi assim que ele nos levou ao tão esperado Taj Mahal. 

A primeira coisa que nos chamou a atenção foi um comprido espelho d’água no centro do pátio. Depois, as quatro torres laterais, que protegem a construção. E, no centro, está o grande palácio de mármore branco. O Taj Mahal é, sem dúvida, uma das construções mais belas do mundo. 

A sua construção começou no fim de uma linda história de amor. O príncipe persa Shah Jahan ao perder sua esposa Arjumand Begum, que morreu ao dar à luz ao 14º filho, se desesperou e quase morreu também de tristeza e desgosto. Para abrigar o corpo da sua amada decidiu construir um palácio. Shah Jahanconvidou os maiores artistas e arquitetos, dos impérios persa e mongol, e mandou comprar os melhores mármores. Encomendou rubis e jades para decorar o mais belo túmulo que alguém poderia ter visto. O Taj Mahal demorou 22 anos para ser construído. 

Depois, Shah Jahan resolveu construir um novo palácio, mas de mármore negro, onde ele próprio seria enterrado. Seus filhos, que não deixaram o príncipe cometer mais essa loucura, o prenderam em uma fortaleza. E, quando o príncipe morreu, também foi enterrado no Taj Mahal. Realmente, “essa foi uma linda história de amor”, já cantava Jorge Benjor... 
Mas, espera aí. A nossa história não acabou por aí. Ainda fomos para Jaipur... E essa é também uma história das boas...

Você já ficou em um congestionamento? De pessoas?
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De Agra fomos para Jaipur, de ônibus. Compramos uma passagem, com a ajuda do nosso agora amigo “riquichato”. No dia do embarque, fomos para o lugar onde, supostamente, seria a rodoviária. Mas o que encontramos foram muitas vacas na rua, muita gente, bares, barracas de comidas, cachorros e nada de rodoviária. Resolvemos perguntar onde era o embarque do nosso ônibus. Um senhor pegou a passagem para ver. Nesse momento, juntou mais gente. Todos queriam ajudar. Eram mais de vinte pessoas. E a nossa passagem começou a passar de mão em mão. Sabem aquela brincadeira que uma pessoa fica no meio de uma roda tentando pegar a bola? Pois é, nós éramos essas duas pessoas tentando pegar os nossos tickets que passavam de mão em mão. Cena de filme pastelão. Até que, finalmente, pegamos os tickets de volta sem ninguém conseguir dizer onde parava o tal ônibus. Só descobrimos quando vimos um miniônibus, bem velho, parar em frente a um bar. Era aquele. Entramos, e seguimos viagem. 

Não precisa dizer o sufoco que foi viajar pelas estradas indianas naquele ônibus. Era para infartar qualquer cidadão saudável. Além de nós, tinham mais duas turistas estrangeiras. No banco, atrás delas, tinha um indiano, que resolveu fazer xixi ali mesmo. Ainda bem que avisamos a tempo das duas levantarem as mochilas que estavam no chão. 

E, chegamos numa parada de ônibus. Não era bem uma parada de ônibus como as que conhecemos. O banheiro era uma parede, sem porta, sem teto, sem nada. Só uma parede. Os homens usavam a parte da frente e as mulheres tinham que ir do outro lado para não serem vistas fazendo xixi no chão. Não tinha como comer nada e a água não era nem um pouco confiável. Mas, sobrevivemos. 
 

Em Jaipur, conhecida também por “a cidade rosa”, vimos a beleza do Hawa Mahal (Palácio dos Ventos) e o Palácio da Cidade, o Jantar Mantar com o seu enorme relógio do sol e o Jal Mahal, um palácio construído no meio do lago Man Sager. Visitamos também o Amber Fort e o Jaigarth Fort. 

A cidade era bem movimentada e a sensação mais estranha foi ficarmos presos num congestionamento humano. Imagina uma massa de pessoas caminhando. De repente, começa todo mundo a parar e não tem como sair daquela multidão. Agora, imagina você parada e alguém cheirando o seu pescoço. Foi isso que aconteceu. Um indiano resolveu cheirar o pescoço da Vera. Ainda bem que somos um casal bem-humorado. Quando percebemos a situação começamos a rir... 

Em Jaipur, também assistimos uma filmagem bollywoodiana. O mais impressionante foi que os participantes dançavam em cima de uma muralha altíssima, sem nenhuma proteção. Aliás, os cinemas na Índia são superdimensionados, por causa do seu grande público, que assistem as suas inúmeras produções. Tivemos a ideia de ir assistir um filme, mas o maior problema foi comprar os tickets. As pessoas ficavam colados um ao outro, literalmente. A maioria era de homens, se não a totalidade, e para nós, já bastava ter ficado no congestionamento humano com um indiano cheirando o pescoço da Vera. Por isso, desistimos.

Depois de todas essas aventuras, voltamos de trem para Nova Delhi e, dessa vez, de primeira classe. Nova Delhi é uma cidade de contrastes, paupérrima e suntuosa ao mesmo tempo. Apesar da pobreza, do sistema de castas, da poluição, da desorganização, da enorme e ineficiente burocracia, a Índia nos encantou pelas suas belezas indescritíveis, pelo povo, pela cultura e culinária fantásticas, que só quem esteve lá pode compreender. Uma desorganização que encanta. Um povo resignado, mas que é feliz...

O Nepal é legal... 

Da Índia fomos para o Nepal que foi uma agradável surpresa. Chegamos a Katmandu no início da tarde. Desembarcamos em Tribhuvan, seu pequeno, mas muito charmoso aeroporto. A cidade fica no meio das montanhas e somente é permitido a aterrissagem e decolagem dos aviões com boa visibilidade. Por isso, tivemos que ficar um dia a mais em Nova Delhi, sem o avião poder decolar. Somente, no dia seguinte, depois de permanecer muito tempo dentro da aeronave, houve a autorização para partir. Por sorte, a visibilidade se manteve. Caso contrário, o voo retornaria para Nova Delhi. 

No aeroporto de Katmandu indicaram um hotel bem localizado e com preço razoável. Ainda recebemos um folheto de boas-vindas e com orientações para que os turistas não dessem “esmolas” aos pedintes. O argumento era de que isso não resolveria os problemas sociais do país. 

A temperatura era amena, mas a noite o frio era intenso. Katmandu não é uma cidade muito grande, mas podemos dizer que são duas cidades distintas – uma, com seus milhares de visitantes e templos construídos com tijolos na tonalidade rosa. A outra, suja, poluída, com seus bazares, muita gente e com macacos que atormentam. Mas, a Dubar Square, no centro antigo, a Freak Street, mais conhecida como a rua hippie, o Hanuman Dhoka, um grande palácio, são lugares de visitação obrigatória. Nós aproveitamos o nosso tempo para caminhar muito, incluindo algumas incursões nos arredores da cidade. 

Fomos a Patan, que ficou muito danificada no terremoto de 2015, Bouldhanath, onde a linda Bouldha Stupa (a torre) domina o cenário, o Shiva Temple e o Pashupatinath Temple, onde ficamos impressionados com o forte cheiro vindo das cremações. 

A sensação de estar em Pashupatinath Temple foi muito estranha e impressionante. Vimos um ritual e o início de uma cremação. Uma dor enorme para as famílias, o que nos fez pensar muito sobre a vida e a morte. Vimos muitos sadhus e ficamos ali tentando compreender toda aquela cultura estranha para nós. 
Visitamos o que foi possível, mas infelizmente, não fomos ao acampamento base dos alpinistas que sobem o Everest. Naquela época, fomos desencorajados porque havia o perigo de ataques dos rebeldes maoístas, que tentavam dominar o país. 
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Viajar é aguçar todos os sentidos, é vivenciar o lugar de todas as formas. Por exemplo, como conversar com o Konal, um menino que todos os dias nos oferecia uma mandala. E, a cada dia, ele dizia que a mandala estava ainda mais linda e brilhante, porque ele estava cuidando dela. Viajar é participar de tudo. Um dia saímos correndo atrás de um monte de gente que tocava instrumentos, cantavam e dançavam. Parecia uma festa! Só depois percebemos que não era uma festa, mas sim um funeral.  Viajar é comer o inesperado. Como o dia que o garçom passou com um belo pedaço de carne numa chapa quente e o cheiro era irresistível. Pensamos, “será picanha?” Mas, não era. Só depois que comemos soubemos que aquilo era carne de iaque. Que foi bom também.
 
Na vida nômade cada dia é uma surpresa. Como foi ao decolarmos do charmoso aeroporto de Tribhuvan. Ali, o avião precisa fazer diversas voltas para escapar das altas montanhas. Foi então, que lá do alto, conseguimos ver a beleza e a suntuosidade do Monte Everest bem de perto, quase aos nossos pés.  

Vai uma acompanhante aí? 

De Katmandu fomos para Bangkok. Chegamos num dia de muito calor. E assim, continuou durante todo o tempo que estivemos por lá. Aliado ao calor do clima, a comida muito condimentada esquentava não só por fora como também por dentro. Imaginem comer noodles, muito quente em todos os sentidos, nesse calorão. Pois é, foi o que não nos faltou. Era barato e encontrado em qualquer lugar. Mas, foi num desses dias que tivemos um incidente, sufocar com a pimenta, tossir e ficar sem ar até ficar vermelho igual um pimentão... Felizmente, depois de algum tempo tudo passou.

Andamos muito pela cidade animada. Conhecemos o Grand Palace e os templos como o Wat Phra Kaew, Wat Pho, o Wat Arun, e os outros templos não tão famosos, mas muito interessantes. O “Buda reclinado” é impressionantemente belo. Passeamos pelo rio Chao Phraya, ficamos admirados com os mercados flutuantes de Chatuchak e Tailin Chan e andamos de Tuk-Tuk.

Fomos também para Pattaya, uma cidade de praia, não muito longe de Bangkok. Em Pattaya, assim como em Bangkok, o turismo sexual é muito explorado. Nos saguões dos hotéis em Bangkok a situação era bem visível. E não era diferente em Pattaya. 

Pattaya, que era um vilarejo tranquilo de pescadores, tornou-se uma cidade com prédios, resorts, bares, casas noturnas, muito frequentada por estrangeiros. As praias e o templo Wat Phra Yai, com o seu famoso Buda de ouro com 18 metros de altura, são imperdíveis. 

Num desses dias, no final de tarde sentamos num bar, numa calçada, para tomar uma cerveja. Uma senhora idosa e muito bem-vestida veio até nós para oferecer uma das “suas acompanhantes”. O bar, que chamava Pink Lady, mantinha as garotas de programa para os seus clientes. Agradecemos e continuamos bebendo nossa cerveja e observando o que acontecia ao redor. Numa mesa em frente à nossa, estavam quatro “garotas” e dois homens americanos. Até onde vimos as gratificações em dólar eram bem robustas. 

Apesar do grande turismo sexual, o que vimos na Tailândia foi uma grande riqueza cultural e um povo muito receptivo. Infelizmente, não conhecemos as ilhas Phi Phi e Phuket, porque nossa viagem ainda continuaria para Hong Kong e Macau. Mas, certamente, a Tailândia ainda é um lugar para voltar e viajar também pelo rio Mekong, partindo do país vizinho Vietnã ao Camboja, um sonho ainda por realizar. 

Comendo “perfex” ... 

Hong Kong ainda era colônia inglesa e Macau colônia portuguesa. Hong Kong contrastava a tradição milenar chinesa e a pujança do capitalismo. Ficamos impressionados com os Rolls Royce, Ferrari e outros carros luxuosos que conviviam com os mercados e barracas de peixes e animais vivos. As lojas minúsculas dos alfaiates, que em menos de duas horas confeccionavam ternos alinhadíssimos, conviviam lado a lado com Shopping Centers imensos, com lojas de grifes internacionais e preços absurdamente caros. Sem esquecer dos luxuosos arranha-céus. 

A cidade era cara, de um modo geral. Mas, pesquisando, era possível comprar equipamentos fotográficos e relógios a preços baixos, desde que o comprador entendesse do assunto e soubesse avaliar o que era original ou falso. Uma das principais atrações da cidade era o Victoria Peak, de onde era possível ver toda a cidade de Hong Kong. Sem dúvida, era uma vista linda! Fora isso, deixar de visitar o Buda Gigante ou os mercados era um verdadeiro pecado. Por isso, não deixamos de ver. 

Num barco, fomos também para Macau. Apesar de muitas pessoas falarem o Cantonês, o inglês também era língua oficial em Hong Kong. Mas, em Macau, mesmo sendo colônia portuguesa, menos de 2% da população falava o português, embora as placas de rua e algumas lojas fossem escritas na língua colonial. 

Andamos pelos mercados. Era como entrar num mundo a parte. Os diferentes tipos de animais vivos impressionaram. Alguns totalmente desconhecidos. Embora um “gremlin” seja uma criatura mitológica, a imagem que vimos no filme do mesmo nome, só pode ter sido inspirado por um daqueles animaizinhos esquisitinhos. Além disso, tinham umas coisas estranhas, indecifráveis aos nossos olhos ocidentais. 


 

Numa das barracas, vimos umas pessoas provando uma coisa que mais parecia com aqueles panos de limpeza, tipo “perfex”. Uns vermelhos, outros amarelos. Resolvemos pedir para experimentar. O sabor era bom. Depois de uma explicação, que não entendemos bem, concluímos que era uma carne prensada. Então, resolvemos comprar e comer.

Pela metade daquela folha prensada já deu um enjoo. Talvez aquilo teria que ser frito ou cozido. Enfim, apesar disso, com a ajuda de uma lata de Coca Cola, sobrevivemos.

 

No mais, caminhamos pela cidade, também conhecida como “Las Vegas da Ásia”. Vimos os cassinos e shoppings na Cotai Strip, que une as ilhas de Taipa e Coloane. A vista panorâmica da cidade ,na Torre de Macau, também é imperdível. 

 

De volta a Hong Kong, era hora de retornar para Amsterdam, e depois para casa. O aeroporto era o Kai Tak, hoje desativado. Esse aeroporto era famoso entre os profissionais da aviação, por ter uma das mais perigosas pistas de decolagem e aterrisagem. Por isso, era habilitado apenas para poucos pilotos super treinados. Como não somos experts, embora o Helinho goste muito de aviação, fizemos um copy & paste da descrição da aproximação e decolagem para se ter ideia da complexidade dessa pista: “as aeronaves faziam a aproximação em linha reta por IGS (Instrument Guidance System, uma forma modificada de ILS) para um ponto chamado Checkboard Hill, balizada por uma colina com uma laje pintada de xadrez vermelho e branco. A partir desse ponto, o avião fazia uma curva de 47 graus, sem o uso do piloto automático e em condições estritamente visuais, para alinhar com a pista 13” (https://www.wikiwand.com/pt/Aeroporto_Internacional_Kai_Tak), a única pista desse aeroporto. Para a decolagem, “a aeronave tinha que fazer uma Sharp de 65 graus à esquerda logo após a decolagem, para evitar as colinas (um reverso do que faria o tráfego na pista 13)”.

 

Na aterrisagem era possível ver dentro dos apartamentos. E para decolar, o avião subia fazendo uma grande curva antes de pegar uma linha reta. Esse era um dos maiores desafios da aviação. As aeronaves sobrevoavam baixo no bairro Western Kowloon trazendo fortes emoções para os moradores e passageiros. Mas, como todos os pilotos que faziam aquela rota eram habilitados estávamos confiantes de que tudo sairia como o previsto. E hoje, sentimos gratos por ter conhecido um aeroporto que sempre foi inspiração e aspiração para alguns profissionais da aviação mais ousados. 

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