top of page

Pé no Mundo
Canada - New York

Da beleza ao “mico” total...

           

Definitivamente, já tínhamos sido contaminados pelo vírus do viajante. E, dessa vez, escolhemos o Canadá. De lá, fomos para New York para conhecer a famosa megalópole, que todo o mundo publicitário de São Paulo, onde já estávamos morando, conhecia e falava mil maravilhas. 

           

Primeiro, chegamos a Montreal, depois fomos para Quebec, Otawa e Toronto. Sabe aquele lugar que tudo é lindo, perfeito, sem problemas e com paisagem inesquecível? Foi assim a nossa impressão. Obviamente, hoje colecionamos muito mais histórias e outras visões do Canadá do que naquela época. Como já contamos na primeira parte desse relato, na viagem ao Alaska subimos pela British Columbia, passando pela estrada mais bonita do mundo – Banff/Jasper – e pelo Território do Yukon, pelo Klondike, onde teve a Corrida do Ouro e o “Tio Patinhas” ganhou a sua primeira moeda. Convivemos com ursos e cruzamos de oeste a leste do país, pela Trans Canadá Highway. 

           

Voltando ao paraíso canadense daquela primeira viagem, foram dias incríveis de visitas a muitos museus e parques. Ficamos impressionados como os canadenses viviam também na cidade subterrânea em dias de frio intenso.  A natureza era indescritível. Belíssima! Conhecemos a fabulosa Niagara Falls pelos dois lados, o canadense e o americano. E depois, entramos nos Estados Unidos por Buffalo. Até aqui tudo certo. Uma perfeição de roteiro e viagem. 

           

Chegando a New York ficamos em casa de amigos. A Zu, o marido e a filhinha, ainda bebê na época, foram super anfitriões. Ficamos à vontade para conhecer a cidade a pé, como gostamos. Foram dias bem divertidos, até que no último dia, a poucas horas de embarcar para o Brasil, fomos até a 5th Avenue e fomos furtados. Levaram a bolsa com os dois passaportes.  

Foi tudo muito rápido. Paramos para fazer um lanche. Do lado de fora houve uma confusão e o Helinho foi ver o que era. Uma moça pediu para sentar-se ao meu lado. Tirei a bolsa que estava na cadeira e o Helinho chegou no mesmo instante. Na mesma hora percebi que tinha algo errado porque a bolsa sumiu. Ficamos procurando no chão, mas uma senhora que estava perto disse que um rapaz, que parecia estar junto com o Helinho, pegou a bolsa e colocou numa sacola de compras. Saímos procurando dentro das sacolas de todo mundo que tinha a descrição que a senhora deu. Ficamos bem desconfiados da moça que se sentou à mesa conosco, mas na falta de provas tomamos a decisão de ir a uma delegacia. 

           

Enfim, fizemos o BO e ligamos para nossos amigos, pedindo para eles levarem a nossa bagagem até a delegacia. Dali, seguimos para o aeroporto para embarcar, sem os passaportes. Fomos encaminhados, por dois funcionários da imigração, até o embarque. Entramos no avião, nos sentindo dois idiotas, sem bolsa, sem documentos, sem a câmera com as fotos de New York e com a moral bem baixa. Para completar, chegando ao Brasil desembarcamos e percebi que meus óculos tinham caído no avião. Voltei correndo, mas nessa altura a limpeza do avião já tinha iniciado, a tripulação estava tomando champagne e eu, fiquei também sem os óculos.  

           

Para entrar no Brasil não tivemos nenhum problema. Apenas apresentamos o BO americano na imigração. O policial olhou, sem nenhum interesse, e entramos no país. O problema foi para tirar um novo passaporte. 

O passaporte furtado foi emitido em Belo Horizonte. Como morávamos em São Paulo, fomos à PF tirar um novo por lá mesmo. Na Polícia Federal, fomos interrogados, juntos e separadamente. Foram muitas perguntas, para ver se caíamos em contradições. No final, disseram que cada passaporte, com visto dos Estados Unidos e do Canadá, custava muito dinheiro. Pois é, desconfiavam que tínhamos vendido os nossos passaportes. Além de termos sido roubados, éramos suspeitos de ter vendido os passaportes. Depois de mais esse “mico” pensamos: - “Vender os passaportes? Por que não pensamos nisso antes?”

    bottom of page