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Rota Vicentina e o Trilho dos Pescadores:

Porto Covo ao Cabo de São Vicente

 

O Alentejo e suas falésias, falésias e mais falésias... 

 

A Rota Vicentina/Trilho dos Pescadores, em Portugal, tem o Caminho Histórico, que percorre vilas e aldeia, e o Trilho dos Pescadores, que segue junto ao mar ao longo das falésias com muita areia, o que exige um bom esforço físico. E tem os percursos circulares curtos, com início e fim no mesmo local. 

            

Depois do Caminho Primitivo e a escapulida para a Inglaterra, já era maio de 2016, quando decidimos seguir pelo Trilho dos Pescadores. O desafio foi passar por trilhas estreitas, no alto das falésias, com ventos fortes vindos do mar. A bonita paisagem deste litoral Alentejano é rude e selvagem. 

            

Saímos de Porto Covo. Todas as casas são azuis e brancas, característica da região. De lá, avistando a Ilha do Pessegueiro. Encontramos Andréa, uma suíça, que nos acompanhou, por alguns dias. Apesar da chuva dos dias anteriores ter dado uma trégua, o céu estava bem carregado de nuvens. O nosso receio era começar a chover forte e raios, enquanto estivéssemos nas falésias. Pegamos um pouco de chuva na saída, mas seguimos em frente numa paisagem estonteante. 

            

Num certo ponto, encontramos dois policiais que perguntaram se tínhamos visto um jovem andando por ali. Disseram que ele estava desaparecido. Falamos que não vimos ninguém e seguimos. Mais à frente, o céu escureceu e a chuva, vinda do mar, desabou. Sem ter o que fazer, ficamos agachados, debaixo do maior temporal, tentando nos proteger. A chuva e o vento foram implacáveis. Mas, sobrevivemos.

Quando melhorou, seguimos adiante, encharcados. Chegando perto de Vila Nova de Mil Fontes, na direção contrária, passou um jovem cuja descrição coincidia com a dos policiais. Avisamos a polícia, mas não soubemos o desfecho da história. 

            

Nos três dias seguintes, passamos por Almograve, Zambujeira do Mar e Odeceixe. A paisagem era sem igual. Pequenas cachoeiras que caíam no mar, praias que eram verdadeiros paraísos, falésias, dunas e os ninhos de Cegonhas, que quase podíamos tocar, não fosse a esperteza delas de construí-los em locais inacessíveis. 

            

O tempo bom e o sol foram uma dádiva, depois do caminho chuvoso e frio na Espanha. Mas, também castigavam. Sem sombra e nas dunas a caminhada tornava-se torturante, mas compensada pelo vento, pela brisa do mar e pelas paisagens floridas e inesquecíveis daquela primavera do litoral alentejano.

 

Curtindo o Algarve...

            

Em Odeceixe entramos no Algarve. A partir dali, caminhamos ora vendo o mar, ora entre matas e campos floridos. O cheiro da “esteva” predominava no ar. A esteva é uma flor bastante utilizada para fazer fixador de perfumes. 

            

A primeira parada no Algarve foi Aljezur, uma cidade histórica linda, apesar do caminho à beira de um canal ter sido monótono. Depois, seguimos para Arrifana, uma praia diferente e tranquila. O nosso oitavo dia de caminhada foi passando no mato, com muito sol e com tanto perfume de esteva que chegava a nos enjoar. 

Cruzamos uma fazenda e encontramos um boiadeiro vestido com suas roupas tradicionais. Parecia um fraque, mas todo em couro. Mais a frente, numa estradinha, ouvimos latidos que vinham de uma casa abandonada. Estávamos a uns cem metros de distância. De repente, vimos o primeiro cachorro latindo. Depois o segundo, o terceiro... Paramos. Não tinha ninguém por perto. E foram saindo mais cachorros. Contamos dez cães. O que fazer? Recuar? Para onde? Foi quando tivemos a ideia de cortar o caminho por um matagal alto. Finalmente, conseguimos sair ilesos daquela situação, apesar dos arranhões e a taquicardia.

 

No dia seguinte, indo de Carrapateira para Vila do Bispo, nos deparamos, novamente, com um cachorro enorme. Seria essa a sina desse nosso caminho? Dessa vez, o cachorro estava mais longe. Só que quando olhamos melhor não era um cachorro. Era um lobo enorme.  Saímos ilesos e, de novo, com taquicardia. 

            

E, chegamos ao último dia de caminhada. De Vila do Bispo ao Cabo de São Vicente, que fica no extremo sudoeste de Portugal continental, tinham dois caminhos possíveis. O Caminho Histórico, de terra batida e mais fácil. O outro pela praia, mais duro e lindo. Escolhemos pela praia. Mas, quando saímos o tempo estava com neblina e mal pudemos ver a paisagem. Seguimos até o Cabo de São Vicente. Enfim, chegamos ao nosso destino. 

 

Depois, como não tínhamos uma alternativa, porque os ônibus não estavam circulando neste dia, fomos mais 6 km caminhando até a cidade de Sagres. No dia seguinte, fomos para Lagos para descansar, aproveitar a cidade e as praias ... 

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